sábado, 31 de janeiro de 2026

Sem reservas, sem acréscimos (1TL6)

Há algo profundamente humano em querer contribuir para a própria salvação. Mesmo diante da graça, insistimos em acrescentar algo: esforço, mérito, sinal visível, desempenho religioso. Paulo confronta essa inclinação com firmeza. Para ele, confiar em qualquer obra como base de aceitação diante de Deus é deslocar o centro do evangelho.

A questão da circuncisão era apenas o sintoma de um problema maior: a tentativa de apoiar-se na carne. O princípio permanece atual. Sempre que a confiança se desloca de Cristo para aquilo que fazemos, a fé deixa de ser dependência e se torna negociação. Paulo não suaviza o argumento: a justiça não é conquistada, é recebida. Ela vem de Cristo, como dom, pela fé.

Conhecer Cristo, para o apóstolo, não era acumular informações, mas participar de Sua vida. Isso inclui o poder da ressurreição, mas também a comunhão de Seus sofrimentos. A fé verdadeira não elimina a cruz; ela redefine seu significado. Não sofremos para sermos aceitos, mas porque já pertencemos a Ele.

A Reforma redescobriu essa verdade essencial: Cristo não é parte do caminho, Ele é o caminho inteiro. Autor e Consumador da fé. Quando essa ordem se estabelece, o coração descansa. As obras deixam de ser moeda e se tornam fruto. A obediência nasce da gratidão, não do medo.

Hoje, enfrente o dia com essa convicção silenciosa: não confie na carne, nem em seus acertos, nem em seus fracassos. Confie somente em Cristo. Ele é suficiente — e sempre foi.

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