quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Quando o mundo começa a falar a linguagem da profecia

Durante um encontro que reúne líderes e formuladores de ideias globais, o presidente argentino Javier Milei afirmou que o Ocidente precisa “retornar à inspiração da filosofia grega, abraçar o direito romano e voltar aos valores cristãos”. A declaração foi feita no World Economic Forum, mas o eco dessa frase vai muito além do ambiente político ou econômico.

A Bíblia nunca tratou a história como uma sequência desconexa de fatos. Em Daniel, o Senhor revelou que os impérios deixariam mais do que ruínas; deixariam heranças. A Grécia moldou a forma de pensar do mundo. Roma estruturou a forma de governar, legislar e exercer autoridade. E, quando a religião passou a caminhar ao lado do poder, surgiu um sistema capaz de influenciar não apenas comportamentos, mas consciências.

Daniel descreveu um quarto reino diferente de todos os outros, forte, duradouro e capaz de atravessar o tempo sob novas formas. Ele não desapareceria com o fim de suas legiões, mas continuaria vivo em princípios, estruturas e métodos. A profecia não aponta para um retorno literal ao passado, mas para a permanência de uma lógica: autoridade centralizada, lei como instrumento moral e religião como elemento de unidade social.

Por isso, quando líderes modernos sugerem que a solução para a crise do mundo está justamente nesses pilares antigos, a profecia reconhece o movimento. Apocalipse descreve um poder que não nasce do nada, mas herda trono, poder e autoridade. O que é herdado não surge novo; reaparece adaptado, legitimado por discursos de ordem, estabilidade e valores elevados.

A Escritura também mostra que, à medida que o mundo enfrenta confusão e insegurança, cresce o desejo por soluções firmes. Nesse cenário, a linguagem moral e espiritual se torna especialmente persuasiva. O perigo não está nos valores em si, mas em sua instrumentalização. Quando a fé deixa de ser fruto da convicção pessoal e passa a sustentar projetos de poder, ela se distancia do evangelho.

Apocalipse revela que, no fim, a adoração não será apenas um ato religioso visível, mas uma questão de lealdade e alinhamento. Muitos não perceberão o momento exato dessa transição, porque o discurso parecerá sensato, necessário e até virtuoso. A profecia não descreve um mundo que rejeita abertamente a Deus, mas um mundo que fala em Seu nome enquanto redefine Seus princípios.

Esses acontecimentos não devem gerar alarme, nem entusiasmo ingênuo, mas discernimento. A Bíblia não reage às notícias; ela as antecede. Quando a linguagem do presente começa a refletir com tanta clareza aquilo que os profetas anunciaram, somos lembrados de que a história segue um roteiro já revelado.

A profecia não se cumpre de forma abrupta. Ela se desenvolve, passo a passo. E aqueles que leem com atenção percebem que o cenário está sendo montado com método, continuidade e propósito.

“Quem tem ouvidos, ouça.”

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