quarta-feira, 1 de julho de 2009
Bento XVI anuncia as chaves de sua encíclica social
A encíclica social contém uma reflexão sobre as condições de um “desenvolvimento integral” e um “progresso sustentável”, explicou depois de rezar o Ângelus nesta segunda-feira na praça de São Pedro, no Vaticano.
Pode-se falar de uma encíclica “comprometida” porque o Papa se refere ao compromisso dos batizados nestas áreas.
O presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, cardeal Renato Raffaele Martino, poderá apresentar a encíclica em 6 ou 7 de julho.
Trata-se de uma data estratégica, prévia ao encontro internacional do G8, que acontecerá de 8 a 10 de julho sob a presidência italiana em Áquila, a cidade devastada pelo terremoto de 6 de abril.
“Aproxima-se a publicação de minha terceira encíclica, que leva por título Caritas in veritate", anunciou o Papa em italiano.
Bento XVI destacou que a encíclica volta aos “temas sociais contidos na Populorum progressio”, escrita pelo Servo de Deus Paulo VI em 1967”.
“Este documento – que leva a data precisamente de hoje, 29 de junho, solenidade dos santos apóstolos Pedro e Paulo – se propõe a aprofundar em alguns aspectos do desenvolvimento integral de nossa época, à luz da caridade na verdade”, explicou.
E prosseguiu: “confio a vossa oração esta nova contribuição que a Igreja oferece à humanidade em seu compromisso por um progresso sustentável, no respeito pleno da dignidade humana e das exigências reais de todos”.
Nos últimos dias, de fato, Bento XVI abordou em diversas ocasiões este tema da “caridade na verdade”.
Nas Primeiras Vésperas nesse domingo pela tarde, destacou a dinâmica relação entre coração e razão.
A encíclica propõe uma antropologia recordando as exigências de respeito à dignidade humana, do homem e da mulher.
Bento XVI firmou, assim, nesta segunda-feira, 29 de junho, sua terceira encíclica, depois da primeira sobre a caridade evangélica, “Deus caritas est”, publicada em 2005, e a segunda sobre a esperança cristã, “Spe salvi”, publicada em 2007.
Trata-se da primeira encíclica social de seu pontificado, que é publicada 18 anos depois da última encíclica social de João Paulo II, Centesimus annus, de 1991, publicada, como indica o título, um século depois da encíclica de Leão XIII Rerum Novarum.
Mas Bento XVI se referiu à Populorum progressio e retomou, em sua alocução do Ângelus, o conceito de “progresso” humano autêntico do qual falou no domingo a propósito de São Paulo.
Já em novembro de 2007, Bento XVI pediu uma “nova ordem mundial” para eliminar a pobreza.
Foi em ocasião de um congresso promovido pelo Conselho Pontifício Justiça e Paz por ocasião do 40º aniversário da encíclica de Paulo VI Populorum progressio.
Em várias ocasiões, o Papa denunciou o escândalo da fome no mundo e destacou que o capitalismo e a distribuição equitativa da riqueza não são “contraditórios”.
Também advertiu que a busca de lucros não se deve realizar “sem controle”.
Os temas abordados na encíclica afetam a globalização, a preservação do meio ambiente, o desenvolvimento sustentável e o financiamento sustentável.
Também trata as implicações econômicas e sociais de um exame de consciência para voltar a uma ética das finanças e da economia ao serviço da pessoa humana segundo uma antropologia respeitosa com a identidade do homem e da mulher.
A publicação da encíclica foi adiada várias vezes porque a crise implicava uma reflexão profunda desta nova realidade e por razões de tradução.
O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, indicou que “o Papa não quer repetir os pontos comuns da doutrina social da Igreja, mas oferecer alguns elementos originais conforme os desafios da época”.
Fonte - Zenit
domingo, 2 de agosto de 2015
"Francisco quer ações, não meras palavras na questão do ambiente"
Começar a encíclica Laudato Si" (Louvado Sejas) com uma frase de São Francisco de Assis, como fez o Papa Francisco, é por si só todo um programa?
Sim. Louvado Sejas é um lamento por uma ligação perdida entre os seres humanos com Deus, com eles próprios e com o planeta. Uma ligação cujo expoente máximo, penso, foi precisamente São Francisco de Assis e, por isso, ele é o santo patrono da encíclica e daquilo que nela o Papa chama ecologia integral. Quanto à encíclica em si, em minha opinião, é o documento mais importante sobre a doutrina social da Igreja da primeira encíclica social, a Rerum Novarum (1891). Representa uma mudança importante no entendimento da Igreja do que é o seu ensinamento social.
De que forma?
Antes da publicação da Rerum Novarum, muitos autores católicos tinham escrito sobre questões sociais. Por exemplo, o cardeal inglês Henry Manning, que pode possivelmente ser considerado o autor do conceito de salário justo, mas sem ser um papa a falar através da autoridade de uma encíclica, podia sempre dizer-se que não passava de uma opinião pessoal. O que uma encíclica faz é, a partir de ensinamento comum, erguer este a um novo nível e afirma que isto é aquilo em que todo o católico deve acreditar. Assim, com Louvado Sejas passou a ser uma obrigação para todo o católico preocupar-se com o ambiente, já não é uma opção. Gostava ainda de referir que, como em 1891 muitos empresários católicos na Europa disseram "mas o que é que o Papa sabe sobre salários e sindicatos", hoje muitos conservadores americanos estão a dizer "mas porque é que o Papa está a imiscuir-se na questão" do ambiente. Mas ambas as encíclicas mostram que as duas questões são também questões morais.
Os católicos devem mudar de atitude na questão do ambiente?
Precisamente. A encíclica dirige-se a todos, mas o seu destinatário primeiro são os católicos e diz-lhes que, desde agora, devem estar na vanguarda da mudança dos comportamentos necessária para reduzir as alterações climáticas. Deve existir coincidência entre a fé e os comportamentos em sociedade dos fiéis.
A encíclica é crítica da sociedade de consumo e hedonística?
O que Louvado Sejas faz, e não fora feito até agora no ensinamento da Igreja, é ligar o impacte do modelo corrente de consumismo à situação dos pobres e do planeta e mostrar que o mal causado a ambos é sintoma da imoralidade do modelo económico vigente. O modo como o faz é brilhante e, de algum modo, é uma restauração. Todas as reformas radicais na Igreja são uma restauração de algo que se perdeu.
As ações humanas produzem a degradação do ambiente?
A importância da encíclica é que toma posição no debate científico sobre a questão, reconhecendo que as alterações climáticas são resultado da ação humana, mas as evidências em que se baseia surgem mais do testemunho dos pobres, sintetizadas através das declarações de conferências episcopais. Isto é deveras importante, porque o Papa está a afirmar que o povo de Deus está a sofrer e que sente e vê esse sofrimento. E a ciência sustenta esta evidência. O que não tem sido entendido por muitos nos EUA que dizem não ser admissível o Papa tomar posição sobre a ciência quando ele, de facto, diz que a evidência vem do sofrimento dos pobres.
Referiu a citação de documentos das conferências episcopais. Essa é uma novidade na encíclica?
É um desenvolvimento muito importante. Louvado Sejas é a primeira encíclica que se apoia de forma extensa no ensino das conferências episcopais. O que Francisco está a fazer é mostrar que a sua autoridade para se pronunciar, como Papa, sobre um tema resulta do facto de ter ouvido os bispos. Uma ilustração da defesa que faz do princípio da colegialidade.
Mas mantém a tradição de citar os papas seus predecessores.
É a regra. O ensinamento de um papa baseia-se no dos predecessores e, no caso de Francisco, é também importante mostrar que as suas preocupações não são algo novo. Conheço um pouco o processo de formação da encíclica e a preocupação central não foi se são verdade ou não as alterações climáticas. A preocupação central foi porque é que não se fez nada sobre isto. Na própria Igreja, em particular, depois de João Paulo II ter proferido, logo no início dos anos 1990, um discurso radical totalmente dedicado à questão ecológica. Francisco quer ação, não meras palavras na questão do ambiente. Primeiro, na Igreja e, depois, no plano internacional.
Outro elemento inédito é a citação de um autor, Romano Guardini, padre e filósofo, e a cuja obra Bergoglio pensou dedicar uma tese de doutoramento?
Foi o seu teólogo favorito. Francisco pensa que no livro de Guardini, Der Ende der Neuzeit (O Fim do Mundo Moderno) está identificada a mentalidade que levou à atual crise ecológica e que justifica o modelo de desenvolvimento vigente: o paradigma tecnocrático, que justifica que o mundo seja considerado como uma criação para nosso benefício individual e para o utilizarmos como entendemos. O mundo não é algo com que tenhamos de estar em comunhão, é algo para utilizarmos. É importante ter presente que Francisco não está aqui a criticar a economia de mercado, ele não é um socialista. O que ele critica é a mentalidade que leva a largas faixas da população mundial esteja no desemprego, seja vista como descartável e explorada, e que isto seja considerado como um preço inevitável para o desenvolvimento económico e que, mais tarde ou mais cedo, o problema acabe ultrapassado pelos mecanismos do mercado. Críticas também feitas por outros papas no quadro do ensinamento social da igreja.
O Papa visita Cuba e os EUA em setembro. Perante as críticas que lhe têm sido feitas, como pensa que será recebido neste último país?
Devemos ver esta como uma visita aos dois países. E será aquela com maior impacte e efeitos a prazo das suas viagens apostólicas. Nos EUA, penso que irá reproduzir a mensagem deixada na Bolívia, em Santa Cruz. Isto é, depois de ter ouvido as reivindicações dos mais fracos vai levá-las ao centro do império capitalista. Penso que será uma visita profética. Irá certamente encontrar forte resistência, dentro e fora da Igreja, de uma pequena elite mas articulada e poderosa, mas o que Francisco irá fazer, como sempre faz nas suas visitas, é estabelecer a ligação direta e forte com "o santo povo fiel de Deus", nas suas próprias palavras, isto é os católicos comuns, a generalidade dos americanos. E será uma deslocação extraordinária, mas será também a mais difícil das que realizou até agora.
E em Cuba?
Para o regime, a Igreja é uma tábua de salvação da sua própria existência. A Igreja é o garante de que a transição para um regime democrático proteja os resultados da revolução de 1959 e que proteja Cuba daquilo que o regime vê como a hegemonia dos EUA. A visita de Francisco a Cuba deve contribuir para construir este tipo de futuro. Vamos ver Francisco como líder dos povos da América Latina. Creio que será uma visita muito, muito emotiva.
Será diferente da realizada por João Paulo II?
Sem dúvida. Esta foi muito tensa. Só João Paulo II ter visitado Cuba foi uma vitória. Agora, é diferente. O regime sabe que acabou a revolução socialista, que tem de levar a cabo a transição para uma democracia e para uma economia de mercado. A questão é como fazer isso e que modelo seguir. Francisco chega a Cuba não só como líder da Igreja latino-americana mas como alguém que partilha as aspirações e ideais dos povos da região. Ele é um católico nacionalista que acredita profundamente na soberania da América Latina e do desejo das suas populações de uma economia mais justa e sociedades mais dignas.
Qual a interpretação que faz do número de vezes que Cristina Kirchner já se encontrou com Francisco? É uma tentativa de procurar ultrapassar os atritos do passado ou é mero cálculo político em ano eleitoral?
Creio que é cálculo político. Francisco é hoje a figura que une todos os argentinos e é talvez a maior figura a nível mundial. Claro que todos os políticos argentinos querem um encontro com ele. Muitos na Argentina interrogam-se por que é que o Papa a recebe, mas ele disse a uma pessoa amiga que não pode dizer que não. É uma chefe de Estado e se ela se quer encontrar com ele, ele tem dizer sim. Mas sei que está irritado com a maneira como muitos políticos argentinos têm procurado manipular ou interpretar estas visitas. E por isso não visitará a Argentina este ano. Só em 2016, quando irá também ao Chile e Uruguai.
Pensa que o Papa Francisco considera a hipótese de renunciar como fez Bento XVI?
Irá certamente considerar uma renúncia se achar que, fisicamente, não está em condições. Ele já disse ter a intuição de que o seu papado será breve, até pela idade, saúde, e pelo ritmo de trabalho que se impõe, que é muito exigente. Francisco acredita que Bento XVI estabeleceu um precedente que, de certa maneira, mudou a maneira como é visto o papado e como os papas se veem a a si próprios. Francisco não quererá ficar mais do que acha que deve ficar. Penso que tem uma agenda para cinco anos, sabe o que quer fazer neste período de tempo. No final, irá pensar na renúncia mas não quer dizer que o faça. Por exemplo, pode descobrir que precisa de sete anos para fazer aquilo que quer fazer. Depois, não acredito na renúncia de Francisco até Bento XVI morrer; não me parece que possa haver dois ex-papas vivos. Um facto destes acabaria por minar a natureza da função papal.
Pensando no sucedido no conclave de 2005, é possível especular que o Papa Francisco "precisava" do papa Bento XVI para surgir, em 2013, como a melhor escolha para a Igreja nesse momento?
Não creio que a questão se coloque dessa forma. No conclave de 2005, que elegeu o papa Bento XVI, havia um grupo importante de cardeais influentes que desejavam reformas, acreditavam ser o tempo de olhar para a América Latina e acreditavam que o cardeal Bergoglio era a melhor escolha para a tarefa. Mas, para a maioria dos cardeais naquele momento, a questão principal era de como preservar e prosseguir o legado de João Paulo II. O colégio de cardeais não estava preparado para seguir numa nova direção. Nem o cardeal Bergoglio estava preparado. Foi por isso que ele pediu aos cardeais para deixarem de votar nele. Bergoglio apoiava inequivocamente Ratzinger e acreditava que este devia ser o próximo Papa.
Quais eram os principais problemas da Igreja em 2005 e quais são em 2013? E o que mudou neste espaço de tempo?
O grupo de reformadores no colégio dos cardeais, liderado designadamente pelos europeus do Norte e cuja figura principal era o cardeal Martini, de Milão, acreditavam que a governação da Igreja estava excessivamente centralizado e a interpretação da doutrina demasiado estreita e inflexível. Eles desejavam uma governação papal que permitisse à Igreja ir ao encontro, de forma mais adequada, das necessidades pastorais das pessoas, e ter uma melhor resposta a alguns dos desafios do mundo contemporâneo ocidental. O que mudou entre 2005 e 2013 foi que os escândalos envolvendo o Vaticano em 2011-2012 tornaram as reformas uma prioridade. Assim, no momento do conclave de 2013, os cardeais estavam muito mais recetivos à ideia de um papado reformador, que pudesse enfrentar as várias disfunções na Igreja, e libertar as suas energias evangelizadoras. O outro fator chave foi o de que a renúncia de Bento XVI deu oportunidade aos cardeais para terem uma discussão profunda sobre o estado da Igreja, algo que não sucedeu realmente em 2005. Assim, em 2013, acabou por suceder um conclave que, de muitas maneiras, deveria ter sucedido oito anos antes. Só que não estavam então reunidas as condições para isso.
Verifica-se, por vezes, a tendência para tentar mostrar o Papa Francisco como o oposto de Bento XVI, não só em comportamento como no plano doutrinal e teológico. Há realmente bases para esta contraposição?
Sim e não, mas principalmente não. Todos os papas defendem os ensinamentos centrais da Igreja, e nisso Francisco é um promotor tão decidido como o foi Bento XVI. Por isto, querer mostrar Francisco como o liberal ou o tipo de reformador que irá moldar a doutrina da igreja ao mundo contemporâneo, passa completamente ao lado da realidade. Nas questões da família e da sexualidade, por exemplo, Francisco sempre revelou acreditar apaixonadamente nos ensinamentos da Igreja sobre a contraceção e aborto, e criticou sempre o casamento e a adoção por pessoas do mesmo sexo. Dito isto, creio que Francisco está mais disponível do que Bento XVI para aceitar a tensão entre a verdade da doutrina e as necessidades pastorais das pessoas, e para permitir que a orientação da igreja seja moldada por essas necessidades. Vê-se isso, por exemplo, no processo do sínodo sobre a família, em que Francisco quer que a Igreja pense em formas de trazer de volta às paróquias aqueles que acabaram por afastados por terem casado uma segunda vez. Ele tem sido acusado por alguns elementos mais inflexíveis de querer mudar que, dizem eles, acabarão por minar o testemunho da indissolubilidade do matrimónio. Contudo, Francisco dá o exemplo de Jesus de querer salvar as ovelhas tresmalhadas e pergunta quis devem ser as prioridades da igreja: apenas manter os cumpridores ou salvar os perdidos? Creio que a perceção de Bento XVI tinha mais a ver com a preservação da verdade sujeita a várias ameaças enquanto que a atitude de Francisco tem mais a ver com a possibilidade de dar às pessoas a oportunidade de conhecerem o amor e o perdão de Deus.
É legítimo pensar que ao tornar-se claro para Bento XVI não lhe ser possível reformar a Cúria, ele desencadeou o processo que culminaria na sua renúncia?
Quando descrevo no livro as circunstâncias da renúncia de Bento XVI acredito na sua declaração de ter tomado a decisão por se sentir de saúde débil e fraco. Essa é a razão principal - não as revelações surgidas com o escândalo das Vatileaks, como muitos sugerem. Foi uma decisão longamente ponderada, que Bento XVI tomou, como revelo no livro, na visita ao México, em março de 2012, quando caiu no quarto do hotel onde estava. Ele apercebeu-se então que não teria a energia necessária para cumprir as suas obrigações como papa, pensando especialmente nas Jornadas Mundiais da Juventude do ano seguinte, no Brasil. Assim, planeou a renúncia para o início de 2013, a tempo do novo papa ser eleito para dirigir as celebrações da Páscoa e de estar presente no Brasil. E penso que ele sabia que o novo papa seria latino-americano e estava muito satisfeito com isso. Tinha a perceção que era o momento da América Latina ter o seu lugar em Roma. Bento XVI foi, de facto, um papa de transição, a ligação entre duas eras. Conhecia bem aquilo de que a Igreja necessitava e o seu ato profético levará a que a história julgue o seu papado de uma forma muito mais benévola do que o fez a opinião pública.
Refere influências no pensamento, carácter e ideias do Papa Francisco desde o "nosso modo de atuar" dos jesuítas e autores como Yves Congar, Henri de Lubac, Romano Guardini, Methol Ferré, o papa Paulo VI, os salesianos (onde Bergoglio estudou enquanto jovem), o romancista italiano Alexandro Manzoni e pessoas da família, como a avó Rosa. É a síntese destas influências que fazem de Bergoglio aquilo que é hoje e tem sido ao longo da sua vida religiosa?
O Papa não é um intelectual mas um pastor e um homem de ação. Nem por isso deixa de ser uma pessoa profundamente inteligente e uma pessoa de vasto conhecimento. Como muitos outros grandes líderes, ele transforma uma ideia ou um conceito em todo um programa. Quanto aos autores mencionados, eles são realmente as principais fontes de inspiração do pensamento de Bergoglio, mas temos de ter presente que os seus discursos e escritos estão repletos de referências aos clássicos, à literatura, à poesia, até às letras de tangos. Os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola são a chave fundamental. Eles são as lentes - ou como ele próprio diria, a "hermenêutica" - através das quais ele vê tudo o mais. Os Exercícios foram a maneira encontrada por Santo Inácio de Loyola forma de ser um discípulo. E Francisco é um seguidor de Jesus nas passadas de Santo Inácio.
Após a leitura de Francisco - O Grande Reformador, uma das principais características da pessoa e do religioso Bergoglio que mais se destaca é a do Papa não ser alguém preocupado com o poder e o bem estar material. Bergoglio é alguém inequivocamente próximo dos pobres, dos desafortunados ("los sobrantes", "las periferias existenciales", para usar expressões do Papa) e sempre mais preocupado com as outras pessoas, pessoas muito diferentes e em muito diferentes circunstâncias, desde militantes comunistas às pessoas igrejas evangélicas.
Pode parecer um lugar comum, mas o seu modelo é mesmo Jesus. Através dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio, e de toda uma vida de contemplação dos Evangelhos - ouvindo Cristo falar e vendo-o em ação - Francisco identificou-se com Ele a um nível que é agora, provavelmente, principalmente do plano inconsciente. O que espanta as pessoas na sua atitude é o mesmo que espantava as pessoas em Jesus: que este vivia ao serviço total dos outros, com humildade e de forma austera, irradiando alegria, revelando amor nas suas ações - para os mais desprotegidos em especial - e sendo, ao mesmo tempo, um excecional organizador e dirigente.
Um dos conceitos centrais no pensamento do Papa é o de "povo fiel a Deus". O que significa este conceito hoje para a Igreja? Por outro lado, é sugerido, por vezes, que o Papa não é um pensador sofisticado como o se predecessor, Bento XVI, ainda que alguns dos textos de sua autoria sugiram precisamente o contrário. Em sua opinião, como é que pensamento teológico mais profundo coexiste em Bergoglio com a importância que ele concede, como salienta no livro às formas de devoção popular?
O Papa têm uma ligação extraordinariamente forte com as pessoas comuns. Eles olha para elas como as que levam consigo Cristo. O "santo Pueblo de Dios", como ele se lhes refere, são os pobres de Deus (os "anawim"), aqueles que são capazes de receber Cristo de uma forma natural enquanto as elites têm de se esforçar enormemente só para só tentar fazê-lo. O programa de Francisco é o de trazer a mudança das periferias para o centro, porque ele está convicto de que é assim que Deus atua, e que toda a mudança real e verdadeira tem de estar enraizada na própria ação de Deus.
Refere no livro que o Papa tem uma forma peculiar de estruturar as suas intervenções: em três pontos. Como é que então Francisco organiza as mensagens que transmite?
O Papa aprendeu as suas competências de comunicação e retórica com os Jesuítas, entre as quais a da mensagem em três pontos. Também aprendeu muito com um bispo argentino, Victor Zazpe, cuja facilidade e capacidade de falar de uma forma comum, em linguagem simples, Bergoglio admirava muito. Uma nota importante: ainda que hoje em dia, seja algo simples e automático para ele, Francisco não é, naturalmente, um simples e grande comunicador. O seu pensamento é bastante complexo e sofisticado; além disso, ele é, por natureza, uma pessoa introvertida. O grande mestre da comunicação que vemos em ação resulta de um grande esforço e de uma dádiva espiritual, sem dúvida, pela qual ele muito rezou.
Tendo em mente um dos conceitos de um teólogo e pensador importante para o Papa e latino-americano como ele, Methol Ferré, o de uma nova "fonte" para a Igreja de hoje e para a realidade contemporânea, podemos especular que o papa seguinte a Francisco também será das "periferias" e que após o muito breve pontificado de João Paulo I, será difícil ver, de novo, um papa italiano?
O Papa Francisco não é só um novo Papa, é uma nova forma de pontificado, um novo programa. Como procurei demonstrar no livro, o papado de Francisco representa a chegada a Roma de uma nova fonte para a Igreja universal - a América Latina. Neste sentido, o papado de Francisco traduz a mudança do centro de gravidade do Catolicismo mundial do Norte para o Sul. Isto não tem a ver apenas com uma questão de números; tem a ver, principalmente, com a questão do vigor da Igreja no Sul. Assim como a fonte para a Igreja da Contra-Reforma foram Espanha e Itália (e a grande maioria dos papas foi desta última) e a fonte para o Concílio Vaticano II foram a França, Alemanha e a Europa Central, agora a nova "fonte da Igreja" é a América Latina. Sem dúvida que podemos esperar que os papas do futuro sejam provenientes desta região, mas também, e finalmente, da Ásia e de África. O conclave é um processo de discernimento espiritual e nunca há certezas absolutas sobre quem os cardeais irão escolher.
Fonte - DN
quarta-feira, 8 de julho de 2009
A nova encíclica - Repercussões
ROMA, 7 JUL (ANSA) - O ministro Trabalho, Saúde e das Políticas Sociais da Itália, Maurizio Sacconi, elogiou a nova encíclica do papa Bento XVI afirmando que o documento condiz com o Livro Branco do governo italiano sobre o modelo social.
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O ministro da Economia italiano, Giulio Tremonti, disse, por sua vez, que a publicação é "um documento muito, muito importante".
Já o economista Giacomo Vaciago pontuou que o sistema financeiro mundial registrou "nos últimos anos grandes sucessos", mas agora começaram a aparecer os problemas.
Para Vaciago, a "Caristas in Veritate" é um documento que "desmonta o debate superficial entre Estado e mercado" e coloca em evidência a importância das pessoas, já que o Pontífice conseguiu enumerar os problemas de diversos setores sociais.
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Fonte - Ansa
ACNUR ELOGIA NOVA ENCÍCLICA DE PAPA BENTO XVI
ROMA, 7 JUL (ANSA) - O escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) na Itália elogiou as palavras do papa Bento XVI sobre os direitos dos imigrantes incluídas na encíclica "Caritas in Veritate", apresentada oficialmente hoje.
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Fonte - Ansa
ORGANIZAÇÕES COMERCIAIS ELOGIAM NOVA ENCÍCLICA DE BENTO XVI
ROMA, 7 JUL (ANSA) - Entidades italianas do comércio e da agricultura elogiaram a nova encíclica do papa Bento XVI, oficialmente publicada hoje, em que o Pontífice alerta para uma economia sem Deus que causou o atual colapso financeiro.
O presidente da Conferência Italiana de Agricultores (CIA), Giuseppe Politi, expressou por meio de uma nota sua "viva apreciação" e "apoio" ao documento papal, intitulado Caritas in Veritate (Caridade na Verdade).
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A confederação do comércio Confesercenti também comentou o documento pontifício, defendendo que a força moral da encíclica é "um respeitável apelo à responsabilidade para sair da crise, como um mundo que entendeu a lição e que voltar a crescer cada vez mais sólido e justo".
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Fonte - Ansa
Nota DDP: Certamente que estas manifestações iniciais devem ser consideradas no contexto do âmbito em que foram proferidas, a própria Itália, sede do poder eclesiástico romano, no entanto, não deixam de serem relevantes por este motivo.
Fora destes termos, pode ser citada ainda, vinda de Portugal, a manifestação de Alfredo Bruto da Costa, presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP), convidado da CEP (Conferência Episcopal Portuguesa) para comentar a nova encíclica, que qualificou como "um documento extremamente denso". Destaco:
'O documento de Bento XVI advoga uma nova ordem política e financeira internacional, que para o presidente da CNJP se justifica pelo facto de os Estados estarem a perder o seu poder político, porque "a actividade económica e financeira não tem fronteiras" e pela progressiva reunião dos Estados em organizações "supraregionais". Nesse sentido, acrescentou, há uma necessidade de "reavaliar o papel".' (Ecclesia)
Não se pode perder de vista ainda outra interessante constatação veiculada no dia de hoje, qual seja, a de que os americanos "querem ouvir o papa falar sobre economia":
"A pesquisa revela que 70% dos norte-americanos desejam escutar a palavra do Papa sobre a fome no mundo e a pobreza, 57% querem ouvir sua mensagem sobre a miopia da avareza, e 55% desejam ouvir o que tem a dizer sobre como os norte-americanos podem construir uma sociedade onde os valores espirituais desempenhem um papel importante.
Também, a pesquisa revela que 59% dos norte-americanos têm um ponto de vista muito favorável ou favorável sobre o Papa, apenas 20% têm um ponto de vista desfavorável ou muito desfavorável." (Zenit)
É surpreendente que um país fundado de forma a se apartar totalmente do catolicismo romano, possa nos nossos dias subsidiar a premissa de que "os norte-americanos buscam uma bússola moral, e sabem que o Papa Bento XVI a tem".
Surpreendente, mas totalmente profético.
quinta-feira, 18 de junho de 2015
Laudato Si e o erro do papa Francisco
Apoio e admiração totais Hoje pela manhã, o papa Francisco saudou seus mais de seis milhões de seguidores no Twitter com a seguinte conclamação: “Convido a todos para fazer uma pausa para pensar sobre os desafios que enfrentamos em relação aos cuidados com a nossa casa comum.” Pouco mais de uma hora depois, outro tweet foi divulgado: “A cultura do descartável de hoje apela a um novo estilo de vida.” Sempre com a hashtag #LaudatoSi, que, na verdade, é o título da encíclica que o Vaticano divulgará oficialmente hoje. Conforme destacaram Bruno Calixto e Marina Ribeiro, em artigo publicado ontem no site da revista Época, hoje um bispo católico, um ortodoxo e um cientista ateu sentarão juntos na Sala do Sínodo, no Vaticano, e apresentarão aos jornalistas a primeira encíclica escrita exclusivamente pelo papa Francisco. “A escolha das pessoas que apresentarão o documento não é aleatória. O papa quer que sua encíclica – uma carta de ensinamento aos católicos – ultrapasse as fronteiras do catolicismo, chegue às ‘pessoas de boa vontade’ e influencie as decisões internacionais sobre o meio ambiente e o clima. A encíclica de Francisco, que empresta do Cântico das Criaturas de São Francisco de Assis seu título Laudato Si (‘Louvado sejas’, em português), fala especificamente sobre o impacto do homem no meio ambiente – ou na ‘Criação’ – e mostra como os homens podem viver em harmonia com a natureza, de acordo com a moral e a ética da Igreja.”
Obviamente que é louvável a iniciativa de um líder religioso como o papa de encabeçar um movimento ecológico com o objetivo de proteger a Terra da degradação que ela vem sofrendo ao longo dos anos. É evidente que os religiosos podem e devem dar sua parcela de contribuição para criar uma mentalidade de cuidado com a criação de Deus. O problema são as motivações, os argumentos, os objetivos e os erros por trás de todo esse discurso ecológico.
Não quero aqui me deter na ideia de que o ser humano seja o verdadeiro culpado pelo aquecimento global. Há cientistas que, embora não neguem esse aquecimento, não creem que a causa dele seja antropogênica. Poderíamos estar atravessando um novo ciclo de calor; a causa poderia ser outra, como a atividade solar; ou mesmo, como escreveu Ellen White, no livro O Grande Conflito, páginas 589 e 590: “[Satanás] estudou os segredos dos laboratórios da natureza, e emprega todo o seu poder para dirigir os elementos tanto quanto o permite Deus. [...] Nos acidentes e calamidades no mar e em terra, nos grandes incêndios, nos violentos furacões e terríveis saraivadas, nas tempestades, inundações, ciclones, ressacas e terremotos, em toda parte e sob milhares de formas, Satanás está exercendo o seu poder. [...] Essas visitações devem se tornar mais e mais frequentes e desastrosas. [...] E então o grande enganador persuadirá as pessoas de que os que servem a Deus estão motivando esses males. [...] Será declarado que os homens estão ofendendo a Deus pela violação do descanso dominical; que esse pecado acarretou calamidades que não cessarão antes que a observância do domingo seja estritamente imposta.”
E é exatamente sobre isso que eu quero falar aqui. Quero me deter num erro típico do romanismo, presente na encíclica Laudato Si: o erro de confundir deliberadamente o sábado com o domingo.
No capítulo II, seção 71 (a encíclica está disponível aqui), referindo-se à destruição do mundo por um dilúvio no tempo de Noé e sua posterior restauração, Francisco escreveu: “A tradição bíblica estabelece claramente que esta reabilitação implica a redescoberta e o respeito dos ritmos inscritos na natureza pela mão do Criador. Isto está patente, por exemplo, na lei do Shabbath. No sétimo dia, Deus descansou de todas as suas obras. Deus ordenou a Israel que cada sétimo dia devia ser celebrado como um dia de descanso, um Shabbath (cf. Gn 2, 2-3; Ex 16, 23; 20, 10).”
É bom deixar claro logo de início que, ao contrário do que afirma o papa, o sábado não foi dado a Israel apenas. Na verdade, o sábado foi dado à humanidade, no Éden, quando havia apenas um casal sobre a Terra (Gn 2:2, 3), e Jesus confirma isso ao dizer que o “sábado foi feito por causa do homem” (Mc 2:27), não do judeu ou de qualquer outro povo.
Embora cite o mandamento do sábado conforme está na Bíblia, no capítulo VI, seção 237 da encíclica, Francisco se permite reinterpretar o mandamento:
“A participação na Eucaristia é especialmente importante ao domingo. Este dia, à semelhança do sábado judaico, é-nos oferecido como dia de cura das relações do ser humano com Deus, consigo mesmo, com os outros e com o mundo. O domingo é o dia da Ressurreição, o ‘primeiro dia’ da nova criação, que tem as suas primícias na humanidade ressuscitada do Senhor, garantia da transfiguração final de toda a realidade criada. Além disso, este dia anuncia ‘o descanso eterno do homem, em Deus’. Assim, a espiritualidade cristã integra o valor do repouso e da festa. [...] A lei do repouso semanal impunha abster-se do trabalho no sétimo dia, ‘para que descansem o teu boi e o teu jumento e tomem fôlego o filho da tua serva e o estrangeiro residente’ (Ex 23, 12). O repouso é uma ampliação do olhar, que permite voltar a reconhecer os direitos dos outros. Assim o dia de descanso, cujo centro é a Eucaristia, difunde a sua luz sobre a semana inteira e encoraja-nos a assumir o cuidado da natureza e dos pobres.”
Conforme observou Filipe Reis, de Portugal, “não precisamos de muito esforço para perceber que o papa confunde o Shabbat bíblico do sétimo dia com o domingo, primeiro dia da semana, atribuindo a este a importância e solenidade que, biblicamente, apenas o sábado do sétimo dia possui. Ou seja, a validade do sábado do sétimo dia parece ter sido mudada para o domingo, primeiro dia da semana”.
Curiosa e e contraditoriamente, na secção 68 do capítulo II, Francisco escreve, citando os Salmos:
“‘Ele [ndr: Deus] deu uma ordem e tudo foi criado; Ele fixou tudo pelos séculos sem fim e estabeleceu leis a que não se pode fugir!’ (Sl 148, 5b-6).” O papa está correto aqui. Não podemos fugir das leis de Deus, muito menos alterá-las. O sábado faz parte dessa lei e é tão eterno que continuará sendo observado na Nova Terra (Is 66:23). Daniel 7:25, escrito cerca de 500 anos antes de Cristo, previu que no futuro haveria um poder religioso que se atreveria a mudar os tempos e a lei de Deus. A profecia, pra variar, estava corretíssima...
Em seu artigo na revista Época, Bruno Calixto e Marina Ribeiro captaram com precisão a intenção do papa com essa encíclica: “Francisco escolheu com cuidado o momento da publicação e de seu ativismo ambiental. Em setembro, a Assembleia Geral da ONU se reunirá para aprovar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Ele pessoalmente discursará em Nova York. Depois, em novembro, haverá a Conferência do Clima em Paris, onde se espera que governos assinem um acordo global contra as mudanças climáticas. Segundo o secretário-geral do WWF-Brasil, Carlos Nomoto, o papa poderá desempenhar um papel importante nessas reuniões internacionais, aumentando a pressão para que governos enfim assumam compromissos nas negociações climáticas.”
Para Eduardo Felipe Matias, autor de A Humanidade Contra as Cordas: A luta da sociedade global pela sustentabilidade, as questões ambientais exigem a mobilização de todos os atores da sociedade, não apenas governos (num programa da rádio CBN, dois jornalistas também falam sobre isso). “Os efeitos que a encíclica papal pode ter sobre a comunidade internacional e sobre os católicos seriam ampliados se outras instituições religiosas se somassem a esse esforço. Não iremos alcançar um mundo mais sustentável sem mudar radicalmente a mentalidade das pessoas, e as diferentes religiões podem contribuir para essa mudança”, diz.
Felipe resume bem um assunto sobre o qual tenho falado em meu blog há quase dez anos: o ECOmenismo. Trata-se de um movimento de união de esforços que extrapola os limites das religiões e tem o potencial de coligar religiosos, místicos, cientistas, ativistas, ateus e outros grupos.
Estamos vivendo dias solenes. Deus nos ajude a estar firmados na verdade bíblica, cumprindo nosso papel, assim como o papa e outros estão cumprindo o deles.
Fonte - Michelson Borges
segunda-feira, 1 de junho de 2015
São Francisco de Assis inspira título da nova encíclica
O possível nome do documento papal foi retirado do Cântico das Criaturas de São Francisco de Assis, que foi escrito em dialeto da Úmbria por volta de 1226, e é considerado o texto mais antigo da literatura italiana. Neste poema famoso, o Pobrezinho glorifica ao Senhor e louva as maravilhas da criação.
Dia 13 de março de 2013, o cardeal Jorge Mario Bergoglio se tornou o primeiro pontífice a levar o nome de Francisco, lançando assim uma grande mensagem ao mundo. "Para mim [Francisco de Assis] é o homem da pobreza, é o homem da paz, é o homem que ama e cuida da criação; neste momento, não mantemos uma boa relação com a criação, certo? Ele é o homem que nos dá este espírito de paz, o homem pobre", disse ele aos repórteres.
Na homilia da Missa inaugural de seu pontificado, o Santo Padre afirmou que o fundador da Ordem Franciscana "nos ensina a ter respeito por toda a criatura de Deus e pelo meio ambiente onde vivemos". Assim, convidou os presentes a serem “ «guardiões» da criação, do desígnio de Deus inscrito na natureza, guardiões do outro, do ambiente” e pediu que “não deixemos que sinais de destruição e morte acompanhem o caminho deste nosso mundo!”
Durante o vôo de volta da Coréia do Sul, Francisco disse aos repórteres que o primeiro rascunho da encíclica preparado pela equipe do Cardeal Peter Turkson, estava grande e incluía contribuições de muitos especialistas. Assim, Francisco anunciou que o texto final seria muito mais curto e deixava de lado as discussões, porque "uma encíclica deve ser magistral, com base em certezas. As hipóteses podem ser mencionadas nas notas como tal, mas não no corpo da encíclica, que é um documento doutrinal e exige certeza".
Francisco nunca escondeu a sua profunda preocupação com o que ele considera um dos maiores desafios enfrentados pela humanidade, a custódia de criação. Na audiência geral de 21 de maio de 2014, ele ressaltou que “a criação não é uma propriedade, que podemos manipular a nosso bel-prazer; nem muito menos uma propriedade que pertence só a alguns, a poucos: a criação é um dom, uma dádiva maravilhosa que Deus nos concedeu, para a cuidarmos e utilizarmos em benefício de todos, sempre com grande respeito e gratidão”.
O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, falou recentemente com o Papa sobre a encíclica dedicada à ecologia. Após um encontro no Vaticano, o secretário geral da ONU observou que o documento "transmitirá ao mundo que proteger o nosso ambiente é um imperativo moral urgente e um dever sagrado para com todas as pessoas de fé e consciência".
Fonte - Zenit
quinta-feira, 4 de junho de 2015
Ecologia: Nova encíclica do Papa a 18 de junho
Vaticano anuncia data oficial para publicação do documentoCidade do Vaticano, 04 jun 2015 (Ecclesia) - O Vaticano revelou hoje que a nova encíclica do Papa vai ser publicada a 18 de junho, um texto já anunciado pelo próprio Francisco que tem como temática central a ecologia.
“Para evitar confusões devido à difusão de informações não confirmadas, comunica-se que a data prevista para a publicação da esperada encíclica do Papa é o próximo dia 18 de junho, quinta-feira”, adianta uma nota oficial da sala de imprensa da Santa Sé.
A 15 de janeiro deste ano, o Papa disse que a sua próxima encíclica, sobre a ecologia, iria ser publicada entre junho e julho, ainda a tempo de pressionar a comunidade internacional para decisões corajosas na Conferência do Clima 2015, em Paris.
“A última conferência, no Peru [dezembro de 2014], desiludiu-me, esperemos que em Paris sejam um pouco mais corajosos. Penso que o diálogo entre religiões é importante, também neste ponto, e que estamos de acordo num sentimento comum”, referiu aos jornalistas, durante a viagem que o levou do Sri Lanka às Filipinas.
Até dezembro, em Paris, vão decorrer uma série de eventos destinados a definir um novo acordo climático global pós-2020, centrado na redução de emissões para limitar o aumento médio de temperatura em 2º.
“Em grande parte, é o ser humano, que dá chapadas à natureza, quem tem responsabilidade nas alterações climáticas. De certa forma, tornamo-nos donos da natureza, da mãe terra”, alertou o Papa, para quem “o homem foi longe demais”.
A encíclica é o grau máximo das cartas que um Papa escreve; entre os principais documentos do atual pontificado estão a encíclica ‘Lumen Fidei’ (A luz da Fé), que recolhe reflexões de Bento XVI, e a exortação apostólica ‘Evangelii Gaudium’ (A alegria do Evangelho), estando a decorrer um Sínodo sobre a Família, em duas sessões.
“Enviei o texto à Congregação para a Doutrina da Fé, à Secretaria de Estado e ao teólogo da Casa Pontifícia para que o estudem e eu não diga asneiras”, brincou o Papa, a respeito do processo de revisão destes documentos.
Francisco sublinhou que hoje há muitas vozes que falam das questões ambientais, elogiando o papel desempenhado pelo patriarca Bartolomeu I, de Constantinopla (Igreja Ortodoxa).
Já a 22 de abril, o Papa associou-se no Vaticano à celebração do Dia da Terra, pedindo respeito pela natureza para contrariar a exploração dos recursos naturais que compromete o futuro.
“Que a relação dos homens com a natureza não seja guiada pela cobiça, pela manipulação e a exploração, mas conserva a harmonia divina entre as criaturas e o criado, na lógica do respeito e do cuidado, para a colocar ao serviço dos irmãos, também das gerações futuras”, disse, perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro.
Francisco deixou ainda um apelo para que todos saibam “ver o mundo com os olhos de Deus Criador: a terra é o ambiente a proteger e o jardim a cultivar”.
Em novembro de 2014, durante a sua visita ao Parlamento Europeu, em Estrasburgo, o Papa argentino recordou que a Europa sempre esteve na vanguarda do compromisso ecológico e da promoção de fontes alternativas de energia, “cujo desenvolvimento muito beneficiaria a defesa do meio ambiente”.
Nesse contexto, aludiu ao setor agrícola e sublinhou que “não se pode tolerar que milhões de pessoas no mundo morram de fome, enquanto toneladas de produtos alimentares” são deitadas fora.
O patriarca de Lisboa já confessou ter “muita” expectativa em relação à encíclica que o Papa Francisco está a preparar, um tema que não diz respeito apenas a “insetos” ou “flores”, mas à pessoa.
“Às vezes parece que há muita atenção a tudo quanto seja inseto ou outro tipo de animal, flor ou planta, para ser tudo tal e qual como naturalmente é ou deve ser, mas no que diz respeito à fisiologia e ao corpo humano pode-se usar tudo aquilo que a técnica permitir para alterar a bel-prazer, por assim dizer”, afirmou D. Manuel Clemente, em entrevista à Agência ECCLESIA, antes de ser criado cardeal.
O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa defendeu uma “consideração ecológica da realidade é muito importante e muito bíblica” e tem de incluir a dimensão “exterior e interior”.
Fonte - Ecclesia
segunda-feira, 23 de março de 2015
Papa reduz agenda para se dedicar à encíclica sobre ecologia
"O papa se dedicará às correções, revisará traduções e avaliará revisões a serem propostas por quem fizer a releitura", anunciou a assessoria de imprensa da Santa Sé.
O papa manterá o discurso da última quarta-feira e celebrará, como de costume, a missa matinal na Casa Santa Marta, onde reside no Vaticano.
Em janeiro, o pontífice já tinha anunciado a jornalistas que o acompanhavam no voo de volta do Sri Lanka e Filipinas que dedicaria os próximos dias a esse importante documento.
"Se tudo der certo, a encíclica poderá ser publicada em junho ou julho. O importante é que haja tempo entre a publicação e a cúpula de Paris, em dezembro, para que possam ocorrer contribuições", explicou o papa, aos 78 anos.
Os ritos da Semana Santa demandam muitos esforços e tempo ao pontífice, já que ele deve oficiar pelo menos sete celebrações, em nome do que ficará isolado nesta semana para trabalhar em cima do texto.
A encíclica deve servir de ponto de partida para as negociações na Conferência das Partes (COP-21), em Paris, organizada pela ONU, que tratará das mudanças climáticas, e será celebrada entre 30 de novembro e 11 de dezembro.
"É preciso cuidar da Terra para evitar sua autodestruição", disse o papa à comunidade internacional, em novembro de 2014, durante a II Conferência sobre Nutrição da FAO, realizada em Roma.
Por ocasião das reuniões preparatórias no Peru, o papa lamentou "a falta de coragem" para que fossem encontradas soluções conjuntas a fim de salvar o planeta.
O papa Francisco enviou uma cópia da encíclica à Congregação para a Doutrina da Fé, assim como à Secretaría de Estado e aos teólogos da Casa Pontifícia, "para que verifiquem se não digo besteiras", assegurou, com seu habitual tom autoirônico.
Segundo o cardeal Peter Turkson, que contribuiu para a elaboração da encíclica, o papa aborda a "ecologia sistêmica", que leva em conta o desensevolvimento humano.
Em um tuíte sobre o tema, o papa garantiu que "a questão ecológica é vital para a sobrevivência dos seres humanos e tem uma dimensão moral que atinge a todos", resumindo os pontos essenciais no documento.
Esta é a primeira encíclica a ser escrita somente por ele, já que a primeira ("Lumen Fidei", ou "Luz da Fé"), tinha sido preparada por Bento XVI, antes de renunciar em 2013.
Fonte - Exame
sábado, 29 de agosto de 2009
"Caritas in veritate" tem boa acolhida entre protestantes evangélicos
Nesta declaração, titulada Doing the Truth in Love (Fazendo a Verdade no Amor), à qual ZENIT pôde ter acesso, os signatários “aplaudem” o texto e pedem “aos cristão de todas as partes, e especialmente a nossos membros evangélicos no Norte global”, que a leiam e se sensibilizem com ela.
Também apelam a todos os cristãos a um “sério diálogo” sobre as propostas da encíclica.
Os signatários felicitam especialmente “a forma como esta encíclica considera o desenvolvimento econômico em termos da trajetória do verdadeiro florescimento humano”.
Coincidem em pedir com ela “uma nova visão do desenvolvimento que reconheça a dignidade da vida humana em sua plenitude, o que supõe a “preocupação pela vida desde a concepção até a morte natural, pela liberdade religiosa, pelo alívio da pobreza, e pelo cuidado da criação”.
Particularmente, mostram seu acordo com o conceito de “desenvolvimento humano integral” e sua visão do fenômeno da globalização.
“Afirmamos com esta encíclica que a globalização deve converter-se em um processo de integração centrado na pessoa e orientado à comunidade”, assinala o texto.
Também apreciam que a Caritas in Veritate não entre em uma análise simplificadora da polarização entre o livre mercado e a excessiva intervenção estatal, mas que enquadre a economia dentro das relações humanas e, portanto, sujeita à normas morais.
“A vida econômica não é amoral ou autônoma. As instituições econômicas, inclusive os próprios mercados, devem estar marcados por relações internas de solidariedade e confiança”.
Apoiam também a “ênfase da Caritas in Veritate na empresa social, ou seja, no esforço do negócio guiado por um princípio mutualista que transcende a dicotonomia do lucro sim, lucro não”.
“Em termos mais gerais, motivamos os evangélicos a considerar o convite do Papa Bento XVI de refletir sobre quem deve ser considerado agente empresarial e sobre o significado moral do investimento”.
Contudo, sentem falta na encíclica “de uma crítica mais forte para com a elevação do dinheiro a um estado de idolatria e o predomínio atual resultante dos mercados financeiros sobre outros elementos da economia mundial”.
Por último, apoiam a preocupação da encíclica com a decadência dos sistemas de segurança social, com o cada vez menor poder dos sindicatos e a pressão de uma mobilidade trabalhista socialmente destrutiva.
Também coincidem no temor ante o “crescimento de um Estado de bem-estar arrogante, que degrada o pluralismo social e cívico. Portanto, estamos de acordo em que a subsidiariedade e a solidariedade devem andar juntas, como propõe a Caritas in Veritate”. Não “mais Estado” mas “melhor Estado”.
“Com a Caritas in Veritate, nos comprometemos a não ser vítimas da globalização, mas seus protagonistas, trabalhando pela solidariedade global, a justiça econômica e o bem comum, como normas que transcendem e transformam os motivos do benefício econômico e do progresso tecnológico”, conclui a mensagem.
Fonte - Zenit
Nota Questão de Confiança: Como podem os protestantes americanos, que fugiram da Europa perseguidos pelo papado, demosntrarem tão inebriante cegueira diante das pretensões de Roma? Eles merecem nossa profunda caridade, por estarem cavando uma profunda sepultura para si próprios! De fato, nada há mais que se comentar, exceto o que o apóstolo João escreveu há 1900 anos: "Também vi uma de suas cabeças como se fora ferida de morte, mas a ferida mortal foi curada. Toda a Terra se maravilhou seguindo a besta." Apocalipse 13:3
Nota O Tempo Final: Não incluído no artigo do Zenit, estão duas ideias desta carta que quero destacar. Elas são:
a) 'Ecoamos o apelo para melhores modelos de governação global...' - tal qual os adventistas defendem que a Igreja Católica irá obter, a expressão 'governação global' parece-me extraordinariamente certa para descrever os propósitos do Vaticano que são, nota-se, bem acolhidos (ainda que, admito, não totalmente discernidos).
b) '... hesitamos em apoiar sem crítica os correntes modelos das Nações Unidas, Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial e Organização Mundial do Comércio' - se estes modelos estão colocados em causa, quem poderá sugerir um modelo correto de gestão, diria mesmo... governação?
Quero também alargar um aspeto apenas ligeiramente mencionado neste artigo:
c) 'Apelamos a um diálogo sério entre os cristãos e com muitos outros para fazer deste objetivos realidades práticas' - ou seja, os signatários evangélicos defendem que haja uma união de esforços, ideias e propósitos, subordinados às orientações (neste caso, a encíclica) da Igreja Católica Romana...
Nota DDP: Absolutamente impressionante. Esperado, mas impressionante. Não bastasse o enfoque dado pelo Pr. Douglas Reis sobre a cura da ferida, há de ser considerado ainda a intenção clara de que os braços do protestantismo americano se alonguem sobre o abismo rumo ao romanismo, como também observado pelo irmão Filipe Reis.
Outra nuance interessante é a citação do papel dos sindicatos, algo também antecipado pelo Espírito de Profecia. Amazing!
terça-feira, 14 de julho de 2009
A nova encíclica - Repercussões 3
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Direi que o mundo, a crise, a vida, as soluções precisam agora, pelo menos para os crentes, de ser orientados por esta moral social.
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Do Papa veio um estímulo; para nós, deve ser um compromisso. Sejamos nós os praticantes!
Ulisses Garrido, Sindicalista, membro do grupo Economia e Sociedade da CNJP, vice-Presidente do Fórum pela Paz e pelos Direitos Humanos
Fonte - Ecclesia
Eulogio López: “não existem crises econômicas, mas crises morais”
MADRI, segunda-feira, 13 de julho de 2009 (ZENIT.org).- A encíclica “Caritas in veritate” ensina políticos, empresários, economistas e sindicalistas que toda crise econômica esconde uma crise moral, assegura o diretor de Hispanidad (www.hispanidad.com).
Eulogio López, nesta entrevista concedida a ZENIT, ilustra algumas das surpresas que a terceira encíclica de Bento XVI suscita em seus leitores.
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Que a leiam! [os líderes mundiais] Fiquei surpreso quando o presidente norte-americano comentou que a leria em sua viagem Roma-Gana. Acho que não vai dar tempo. Esta encíclica não pode ser lida em diagonal. Quando os empresários e os políticos se derem conta – se darão conta? – do que realmente Bento XVI prega, começarão a tremer. O que está lhes dizendo é que a solidariedade não basta – o que, também, fazem com o dinheiro dos demais – mas que deve-se chegar à gratidão e que, quando o fizerem, deverão repetir as palavras de Cristo: “somos servos inúteis, fizemos o que tínhamos que fazer”.
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Fonte - Zenit
Cardeal diz esperar que G8 cumpra os compromissos assumidos
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Segundo o sacerdote, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, durante seu encontro com o papa Bento XVI, disse que a encíclica publicada pelo Pontífice na semana passada foi muito comentada pelos líderes do G8.
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Bertone considera que as visitas dos chefes de governo a Bento XVI "demonstraram também uma vontade de ouvir a autoridade moral representada pelo Pontífice". O cardeal disse esperar que "isto leve frutos positivos, para o bem da comunidade nacional".
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Fonte - ANSA
Nota DDP: Como era de se esperar, até pelo que a história ensina e, principalmente pelo momento de crise generalizada enfrentada pela comunidade global, o novo documento vem encontrando eco em diversos setores. O próximo passo a ser observado seria a evential passagem da teoria para a prática.
Ainda sobre esta questão, interessante ler o artigo do Jornal New York Times, "A audácia do papa" (em inglês).
terça-feira, 14 de agosto de 2007
Próxima encíclica social abordará desafio da justiça no mundo globalizado

quarta-feira, 26 de agosto de 2015
Papa pede vida coerente com a defesa do meio ambiente
O papa Francisco pediu aos cristãos nesta quarta-feira, 26 de agosto, que assumam um estilo de vida coerente com a salvaguarda "da criação", numa nova intervenção em defesa do meio ambiente e contra o consumismo.Na centésima audiência geral de seu pontificado, perante multidão reunida na Praça de São Pedro, o pontífice reafirmou o apelo por uma mudança no modo de vida, feito em junho na encíclica Laudado si, seis meses antes da conferência de Paris (COP21) sobre as alterações climáticas.
Pela primeira vez, católicos e ortodoxos vão promover, no sábado (29), um Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, a fim de contribuir, segundo o papa, "para a solução da crise ecológica que a humanidade está vivendo".
O papa não gosta de ver o documento reduzido a uma "encíclica verde", pois considera o texto mais como uma encíclica sobre justiça social
Iniciativas locais de oração e reflexão estão previstas e deverão fazer da jornada um "momento forte para que também possam ser escolhidos estilos de vida coerentes", afirmou Francisco.
O Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, instituído pelo papa, vai ocorrer anualmente em 1º de setembro, data que já tinha sido fixada pela Igreja Ortodoxa.
Na encíclica Laudato si (Louvado seja, em latim), o papa defende um modo de vida mais sóbrio e mais tranquilo, lembrando que os problemas ambientais estão intimamente ligados aos sistemas sociais, econômicos e ao domínio das finanças e da tecnologia.
Em entrevista ao diário chileno El Mercurio, citado pelo jornal L'Osservatore Romano, o presidende da Academia Pontifícia das Ciências, o argentino Marcelo Sánchez Sorondo, disse que o papa não gosta de ver o documento reduzido a uma "encíclica verde", pois considera o texto mais como uma encíclica sobre justiça social, na medida em que a "questão do clima tem repercussão sobre os povos mais pobres".
De acordo com o Vaticano, Francisco recebeu 3 milhões de peregrinos em Roma, em dois anos e meio de audiências gerais, Angelus e audiências especiais.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Nova encíclica: Repercussões 5
QUERÉTARO, quarta-feira, 22 de julho de 2009 (ZENIT.org-El Observador).- A encíclica social de Bento XVI, "Caritas in veritate" aborda o âmbito de saberes como a política, a economia ou as teorias sobre a globalização para entrar em cheio no debate filosófico-social contemporâneo, explica um filósofo.
Para aproximar-nos dessas intuições do novo documento pontifício Zenit e El Observador entrevista Rodrigo Guerra López, doutor em Filosofia pela Academia Internacional do Principado de Liechtenstein, membro da Academia Pontifícia para a Vida, e diretor do Centro de Pesquisa Social Avançada (www.cisav.org).
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A nova encíclica do Papa não pretende competir com as análises que a partir da teoria social se realizam sobre a situação que guarda o desenvolvimento no contexto do mundo globalizado. Contudo, Caritas in Veritate ingressa à discussão desde seu próprio estatuto: a Doutrina Social da Igreja.
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Por isso, atrevo-me a assinalar algo que não me deixa de surpreender: os bispos latino-americanos no documento de "Aparecida" abordaram praticamente todos os temas nucleares da encíclica de modo providencialmente antecipado.
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Fonte - Zenit
Caritas in veritate constata hegemonia da Igreja sobre ideologias
ROMA, 22 Jul. 09 / 10:31 am (ACI).- O Ministro da Saúde, Trabalho e Políticas Sociais da Itália, Maurizio Sacconi, assinalou que a nova encíclica social do Papa Bento XVI, Caritas in veritate, constitui um ponto de referência muito importante ante a crise econômica atual e constata, ademais, "uma renovada hegemonia cultural da Igreja ante as ideologias exaustas".
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"A doutrina social da Igreja confirma assim a confiança na economia social de mercado que sabe dar valor às pessoas no trabalho, aprecia –diremos nós laicamente– o capital humano e de tal modo gera competitividade e inclusão social", explica.
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Fonte - ACI Digital
Nota DDP: Um filósofo e um político com importantes considerações, especialmente em dois pontos: doutrina social da igreja e o documento de Aparecida, sendo os mesmos catalogados respectivamente como ponto de partida da discussão e núcleo do próprio documento em destaque.
Na prática o que isso significa? Vejamos:
- Doutrina social da igreja:
«Também, para os crentes, a finalidade última do trabalho é a edificação do Reino de Deus», acrescentou.
Para enfrentar estes «problemas complexos», o Papa propõe tomar como ponto de referência a doutrina social, exatamente como é apresentada pelo Catecismo da Igreja Católica e sobretudo pelo Compêndio da Doutrina Social da Igreja.
«Hoje, mais que nunca, é necessário e urgente proclamar ‘o Evangelho do trabalho’, viver como cristãos no mundo do trabalho e converter-se em apóstolos entre os trabalhadores», assegura o Papa.
«Mas para cumprir com esta missão é necessário permanecer unidos a Cristo com a oração e com uma intensa vida sacramental, valorizando, com este objetivo, de maneira especial o domingo, que é o dia dedicado ao Senhor.» (Zenit)
- Documento de Aparecida:
Uma das características da grande missão que se quer desenvolver na América Latina a partir da Conferência de Aparecida é despertar nos fiéis a consciência da importância fundamental que o domingo tem para os cristãos e, nesse sentido, a centralidade da Eucaristia.
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Uma delas, elogiada por Bento XVI na carta que dirigiu ao CELAM autorizando a publicação do Documento de Aparecida, dia 10 de julho, é justamente a prioridade da Eucaristia e a santificação do Dia do Senhor nos programas pastorais.
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O presidente do CELAM comentou ainda sobre a importância fundamental do domingo, «um dia especial para o cristão». «É o dia que substituiu o sábado judaico. O domingo é o primeiro dia da semana, o termo significa Dia do Senhor. E para nós, Dia do Senhor é o dia do Ressuscitado, é o dia da ressurreição de Cristo», destacou. (Zenit)
Tais manifestações deixam muito claro o que significa a aceitação da encíclica recém lançada como paradigma para um novo modelo social/político/econômico.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Nova encíclica: Repercussões 4
CIDADE DO VATICANO, 16 JUL (ANSA) - O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, enviou uma carta ao papa Bento XVI, divulgada hoje, na qual afirma que a encíclica "Caritas in Veritate" é um convite a repensar a condição do homem na sociedade atual.
Para Napolitano, "a afirmação de Bento XVI, segundo a qual a questão social se tornou atualmente uma questão radicalmente antropológica, constitui um convite para repensar de forma profunda e serena os vários aspectos da vida e do funcionamento da humanidade".
"Li com grande interesse sua terceira encíclica", diz o chefe de Estado, que "traz uma mensagem no interior de uma sociedade em que existe apreensão e incerteza não apenas em relação ao futuro da economia e do desenvolvimento, mas também quanto às mudanças nas relações humanas, no mundo do trabalho, nas relações entre os habitantes do planeta e o meio ambiente".
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Fonte - ANSA
NOVA ENCÍCLICA DE BENTO XVI SERÁ APRESENTADA AO SENADO ITALIANO
CIDADE DO VATICANO, 15 JUL (ANSA) - O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, apresentará a nova encíclica do Papa Bento XVI ao Senado italiano no próximo dia 28.
...
Fonte - ANSA
Nota DDP: Veja outras respostas do mundo político ao citado documento aqui.
quinta-feira, 28 de maio de 2026
A Encíclica Sobre Inteligência Artificial e o Mundo Que Está Sendo Preparado (2026.05.28)
Durante décadas, o mundo acreditou que a tecnologia seria a grande libertadora da humanidade. Mais velocidade significaria mais progresso. Mais conectividade significaria mais liberdade. Mais automação significaria mais qualidade de vida. Mas lentamente começou a surgir uma sensação estranha de que algo se perdeu no caminho. O homem moderno tornou-se hiperconectado, mas emocionalmente esgotado. Nunca houve tanta informação circulando, e ao mesmo tempo nunca foi tão difícil discernir verdade de manipulação. O avanço tecnológico trouxe conforto, produtividade e eficiência, mas também produziu ansiedade coletiva, dependência digital e uma sociedade incapaz de desacelerar.
Talvez seja exatamente por isso que a nova encíclica papal tenha um tom tão simbólico.
Ao falar sobre inteligência artificial, manipulação digital, concentração de poder tecnológico e perda da dignidade humana, o documento não está apenas discutindo máquinas. Ele está descrevendo uma civilização cansada. Uma humanidade que começa lentamente a perceber que a lógica da produtividade ilimitada, da hiperconectividade permanente e do domínio tecnológico absoluto talvez esteja consumindo aquilo que existe de mais humano dentro do próprio homem.
O texto denuncia a manipulação mediática produzida pelos algoritmos, critica a concentração de dados nas mãos de poucas corporações e alerta para uma mentalidade tecnocrática que passa a enxergar o ser humano como algo a ser otimizado, aperfeiçoado e integrado à máquina. Mas existe uma linha ainda mais profunda atravessando tudo isso: a ideia de que a humanidade precisa recuperar limites.
E talvez seja justamente aqui que a encíclica se torna tão profeticamente significativa.
Porque, historicamente, toda vez que civilizações entram em colapso emocional e moral, surge inevitavelmente o discurso da necessidade de reorganização coletiva da vida humana. O homem moderno começa a perceber que perdeu silêncio, contemplação, descanso e equilíbrio. E quando essa percepção cresce em escala global, o mundo naturalmente começa a procurar soluções capazes de restaurar aquilo que foi destruído pelo excesso de velocidade da própria civilização.
A encíclica parece caminhar exatamente nessa direção.
Embora não proponha diretamente um “dia universal de descanso”, ela constrói silenciosamente toda a estrutura filosófica que pode tornar esse discurso cada vez mais aceitável no futuro. Porque, no fundo, o documento sugere que a humanidade precisa desacelerar para continuar sendo humana.
Esse talvez seja o ponto mais importante de todos.
A inteligência artificial ameaça empregos. Os algoritmos moldam emoções. A hiperconectividade dissolve relações humanas reais. O trabalho invade permanentemente a vida privada. O fluxo digital nunca para. O homem moderno já não consegue descansar nem mentalmente. E diante desse cenário começa a surgir uma pergunta inevitável: como preservar a dignidade humana numa civilização que transformou produtividade em absoluto?
Historicamente, a resposta para crises assim frequentemente aparece através da defesa de ritmos coletivos de reorganização social. Pausa. Contemplação. Limites para o mercado. Tempo protegido da lógica econômica. Recuperação da vida comunitária. Descanso como princípio civilizacional.
E é impossível não perceber como esse raciocínio se aproxima de discursos que já vinham amadurecendo há anos dentro do cenário religioso global, especialmente ligados à ideia de uma reorganização ética da sociedade diante das crises ambiental, econômica e tecnológica.
A Bíblia descreve repetidamente momentos em que sistemas religiosos e políticos passam gradualmente a caminhar juntos sob a justificativa de preservar ordem, estabilidade e bem coletivo. Não de forma inicialmente opressiva. Mas através de soluções consideradas razoáveis, humanas e moralmente necessárias para enfrentar períodos de caos.
Talvez seja exatamente isso que torne este momento tão delicado.
Porque o mundo moderno está emocionalmente preparado para aceitar estruturas cada vez maiores de coordenação moral. As pessoas estão cansadas. Exaustas digitalmente. Psicologicamente fragmentadas. Socialmente aceleradas. E quanto mais cresce essa fadiga coletiva, mais plausível se torna a ideia de que a humanidade precisa de limites universais para sobreviver ao próprio sistema que construiu.
Perceba como os elementos começam lentamente a convergir:
tecnologia fora de controle,
crise de verdade,
manipulação algorítmica,
esgotamento humano,
necessidade de proteção social,
autoridades religiosas oferecendo direção moral,
e o surgimento gradual de uma linguagem global sobre “restaurar a humanidade”.
Dentro da interpretação historicista da profecia bíblica, isso possui enorme peso simbólico. Porque sempre entendemos que os eventos finais não surgiriam primeiro como perseguição explícita, mas como amadurecimento progressivo de consensos morais globais apresentados como soluções legítimas para crises reais da humanidade.
E talvez seja exatamente isso que a Magnifica Humanitas represente.
Não apenas uma encíclica sobre inteligência artificial.
Mas um dos primeiros grandes documentos de uma nova fase histórica, em que tecnologia, espiritualidade, política e reorganização social começam novamente a ocupar o mesmo centro de poder civilizacional.
O mais impressionante talvez seja perceber que tudo isso acontece em nome de algo aparentemente nobre: proteger a dignidade humana.
E é justamente aí que a profecia se torna tão séria.
Porque os maiores movimentos da história raramente começaram apresentando sua face final logo no início. Primeiro surgem como respostas necessárias para um mundo cansado, confuso e desesperado por equilíbrio.
Talvez seja exatamente o ambiente que começa a se formar agora.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Nova encíclica de Bento XVI a caminho
A encíclica assinalaria ainda o 40.º aniversário da "Populorum progressio", a grande encíclica social de Paulo VI, datada de 27 de Março.
O actual Papa tem dado grande destaque, nas suas intervenções, ao impacto da globalização e das mudanças climáticas nas populações mais pobres.
A encíclica deverá, numa primeira parte, recapitular o ensinamento da "Populorum progressio" e da “Centesimus annus”, de João Paulo II, abrindo depois novas perspectivas sobre problemas actuais da humanidade.
O texto poderá ser divulgado em árabe e chinês, para além das línguas tradicionalmente utilizadas nestas circunstâncias.
As duas primeiras encíclicas de Bento XVI, “Deus Caritas est” e “Spe Salvi” centraram-se nas “virtudes teologais” da caridade e da esperança.
Fonte - Ecclesia
Nota DDP:
As Encíclicas Sociais, historicamente, têm papel importante como agentes de transformação, como por exemplo a "Rerum Novarum" quando da Revolução Industrial. É interessante também, que elas, como no caso citado, vêm de encontro a realidades que já se configuram na própria sociedade, com a falsa impressão de que são méritos quase que exclusivo do poder eclesiástico.
Agora interessante mesmo, no corpo da notícia, é a afirmação de que são preocupações do atual pontificado a globalização e as mudanças climáticas. Não se pode perder de vista ainda suas prioridades: O ecumenismo e o domingo.
Parece-me existir uma margem muito pequena de dúvida de que estes assuntos serão abordados no documento que encontra-se no forno. A questão que fica é apenas se, assim como foi em outras oportunidades, as "sugestões" que este há de encerrar, serão adotadas, ou impostas, no mundo todo.
segunda-feira, 3 de março de 2008
Vaticano tem planos de lançar uma Encíclica sobre Lei Natural
Fonte: Rádio Vaticano
NOTA: Tanto na Encíclica sobre temas sociais quanto numa possível Encíclica sobre a Lei Natural, o ponto principal será (ainda que camuflado) a guarda do domingo. Isso já está bem fundamentado na Doutrina Social Católica. A Igreja Católica busca por todos os meios influenciar as nações (politicamente) para que promovam seus dogmas. E tenta disfarçar seu verdadeiro objetivo de unir a Igreja e o Estado à semelhança da Idade Média. Não por acaso, o Vaticano já tem aconselhado publicamente os EUA a defenderem a Lei Natural.
segunda-feira, 15 de junho de 2015
Encíclica do papa Francisco será dirigida a todas as pessoas
Um apelo às nações O santo padre Francisco rezou a oração Ângelus dominical a partir da janela de seu apartamento com vista para a Praça de São Pedro, diante de milhares de fiéis, peregrinos ali reunidos. “Como já foi anunciado”, disse o papa, “na quinta-feira será emitida uma Carta Encíclica sobre o cuidado da criação”, e convidou “a acompanhar esse evento com uma renovada atenção para a situação de degradação ambiental, mas também recuperação dos próprios territórios.” O Bispo de Roma recordou que essa encíclica “se destina a todos”. Por essa razão, ele pediu orações para que sua mensagem chegue a todos: “Rezemos para que todos possam receber sua mensagem e crescer em responsabilidade para com a casa comum que Deus nos confiou”, disse. [...]
(Zenit)
Nota 1: Historicamente, as encíclicas papais são dirigidas ao rebanho católico. Por isso, é significativo o fato de o papa Francisco afirmar que sua encíclica se destina a todos. E, considerando-se que líderes mundiais como Vladimir Putin, da Rússia (até ele!), o presidente cubano e vários outros tem buscado o apoio de Francisco, não resta dúvida de que o líder católico será levado em consideração em seus apelos ECOmênicos. [MB]
Nota 2: Se você tem alguma dúvida do poder dessa encíclica que será lançada no dia 18, assista a este vídeo (extraoficial, em inglês) divulgado pelo Observatório do Clima. Atente especialmente para a última frase: “To change everything, we need everyone”, ou seja, “para mudar tudo, precisamos de todos”.
Fonte - Michelson Borges
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
Bento XVI prepara uma Encíclica Social
Nas comemorações dos 40 anos da encíclica «Populorum Progressio», Bento XVI está a “preparar a sua primeira encíclica social” – disse à Agência ECCLESIA D. Carlos Azevedo, Secretário da Conferência Episcopal Portuguesa, depois da visita desta manhã (8 de Novembro) dos bispos portugueses ao Conselho Pontifício Justiça e Paz. A encíclica «Populorum Progressio» foi escrita pelo Papa Paulo VI e tem a data de 26 de Março de 1967. Tem como tema central o desenvolvimento dos povos.
Contacta pela Agência ECCLESIA, Manuela Silva, Presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz, acha que o documento “dará novo alento aos cristãos sobre a Doutrina Social da Igreja”. E acrescenta: A «Populorum Progressio» foi uma das encíclicas que teve maior repercussão a nível da sociedade civil”. O documento do Papa Paulo VI chamava a atenção para as questões da solidariedade entre os países desenvolvidos e subdesenvolvidos.
Actualmente, as problemáticas são distintas visto que “vivemos numa era da globalização”. Se fosse convidada a ajudar na feitura do documento de Bento XVI, Manuela Silva aponta algumas prioridades: “fazer da globalização um processo mais justo e equitativo; regulamentação dos mercados; denunciar os egoísmos dos povos; mercado de trabalho vulnerável; valorizar a dignidade da pessoa humana e crescimento domínio da componente financeira”.
Fonte - Ecclesia
Nota DDP:
De fato algumas encíclicas papais tiveram substancial influência na sociedade civil na história mais recente do mundo, vide a questão derivada da Revolução Industrial. Como passamos por uma nova revolução, a dos desafios em um mundo globalizado, é de se esperar que tal documento forneça muitas "idéias" para utilização em um futuro próximo. Aguardemos o conteúdo que será trazido neste documento e seu impacto fora do âmbito da própria ICAR, como já declinado em outras oportunidades neste espaço.
Tenho uma leve impressão que o domingo vem no pacote...
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Um globalismo cristianizado?
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Os beatos de sempre vão assegurar-nos, é claro, que a nova Encíclica não é um manifesto de apoio ao governo global. O texto mesmo dá-lhes o desmentido formal: "Para sanar as economias atingidas pela crise, ... urge a presença de uma verdadeira Autoridade política mundial" investida de "poder efetivo". Como modelo dessa autoridade, S. Santidade sugere... o Estatuto das Nações Unidas! Publicada com poucos dias de antecedência da nova reunião dos líderes do G-8, que já proclamam a necessidade de adotar em escala mundial uma política de "estímulos" como a implantada pelo presidente Barack Obama nos EUA, qual outro efeito real pode ter essa Encíclica senão o de um incentivo legitimador a que esses indivíduos façam precisamente o que querem fazer?
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A obstinação dos altos círculos católicos na idolatria do "controle global" não vem de hoje. Como o próprio Bento XVI reconhece, "depois da queda dos sistemas econômicos e políticos dos países comunistas da Europa Oriental,... na seqüência dos acontecimentos do ano 1989, o Pontífice (João Paulo II) pediu que o fim dos 'blocos' fosse seguido por uma nova planificação global do desenvolvimento, não só em tais países, mas também no Ocidente." Ou seja, do fracasso total do maior experimento de economia planificada já tentado neste mundo, João Paulo II concluía que era preciso mais planificação ainda, e de dimensões globais.
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A proclamação dos valores cristãos paira no céu da generalidades abstratas, enquanto, no plano da ação prática, só o que se sugere é a ampliação dos controles globais. Sem conexão com as medidas efetivas sugeridas, o apelo à verdade e à caridade funciona, nesse documento, tão-somente como um adorno retórico, embelezando um programa político que não tem com ele a menor conexão lógica e que oferece, como solução do mal, a ampliação das causas que o geraram. Os líderes do G-8 estão livres para brandir a encíclica Caritas in Veritate como um poderoso argumento em favor de políticas que já haviam escolhido de antemão.
Para piorar formidavelmente as coisas, é público e notório que o poder globalista em expansão, longe de se inspirar no que quer que seja de genuinamente cristão, tem como um de seus objetivos professos - intimamente associado às suas políticas econômicas -- a implantação de uma religião universal biônica, na qual a Igreja Católica, expurgada de seus elementos tradicionalistas, se integre como um instrumento dócil da maior farsa espiritual já tentada no universo.
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Enquanto os conservadores e cristãos não aprenderem que não é possível fazer face ao inimigo simplesmente "tomando posição" contra ou a favor disto ou daquilo, não haverá esperança para a humanidade senão a de adaptar-se servilmente a controles globais cada vez mais opressivos e anticristãos. A estratégia do inimigo não é linear: ela é dialética. Ela articula forças contrárias, fazendo-as trabalhar pelo sucesso da síntese global. O que é preciso não é combater propostas isoladas - favorecendo na esfera cultural o que se abomina na da política, ou cedendo na economia aquilo que se pretende defender na esfera cultural -, mas compreender a lógica total do "sistema do Anticristo" e oferecer-lhe resistência integral, tão articulada quanto a estratégia de que ele se serve.
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Fonte - Mídia sem Máscara
Nota DDP: Assim como no texto anterior, retirado da mesma fonte (MSM), o que falta à boa análise do articulista é a resposta à pergunta: "Por que o fez?" Por nova oportunidade, a resposta está no próprio texto...
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Papa pede ajuda ao desenvolvimento e medidas éticas ao G8
"Peço aos países membros do G8 e aos demais chefes de Estado e governo presentes do mundo inteiro que mantenham e reforcem a ajuda ao desenvolvimento, sobretudo aquela destinada a valorizar 'os recursos humanos'", escreveu o pontífice.
Na carta de três páginas, escrita em italiano, Bento XVI lembra aos líderes que participarão da cúpula do G8 que as medidas contra a crise econômica mundial devem introduzir um "valor ético".
"A eficácia técnica das medidas adotadas para sair da crise coincide com a medida de seu valor ético", destacou.
Os líderes das oito maiores potências econômicas mundiais (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia), ao lado de governnates das economias emergentes do G5, como Brasil, China e México, se reunirão na cidade de L'Aquila (centro) para discutir a grave crise econômica e financeira mundial.
Fonte - Último Segundo
Nota DDP: Acompanhe o trajeto que eventualmente se estende ao alinhamento pretendido da igreja romana com os entes políticos suscitados, especialmente face à nova encíclica social prestes a ser veiculada:
- Bento XVI pede que líderes do G8 intensifiquem a ajuda ao desenvolvimento apesar da crise
- Bispo de Beja defende regulação na economia
- Nova encíclica mostrará papa social
- Da «Rerum Novarum» aos nossos dias
Neste contexto, transcrevemos:
É a primeira vez que a agenda de um G-8 se "enlaça" com a publicação de uma encíclica papal, como está para ocorrer com a Caritas in veritate e o G-8 de L’Aquila.
A coincidência é significativa: a crise econômica pressiona cada vez mais os pobres, aumentando as disparidades entre norte e sul do planeta, e os governos parecem ter cada vez mais dificuldade em encontrar soluções realmente justas e eficazes.
A encíclica dará voz aos países mais pobres, excluídos do G-8, pretendendo medidas anticrise que vislumbrem quem mais paga as conseqüências e pouco contribuiu para causá-la. E deve alertar os "oito grandes" para o fato que desta crise – acredita o papa – ou saímos todos, ou não sai ninguém. (Radio Vaticano)
A última afirmação seria uma constatação ou uma ameaça? Dado o reconhecimento explícito realizado por Obama da relevância do pontífice romano nos últimos dias, é de se acreditar que trocas de favores políticos entre os poderes seculares e eclesiástico voltem a ser factíveis em nossos dias. Neste contexto, o reconhecimento dos valores "éticos" que vêm sendo reiteradamente conclamados (a publicação da encíclica deve aclarar quais sejam estes valores), podem ser reconhecidos fora do âmbito religioso em futuro próximo.
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