quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O pânico nosso

Segunda, pânico, terça, calma, quarta, pânico. Quinta, milhares de americanos tiraram US$ 150 bilhões das suas contras e assombraram a Casa Branca. À noite, saiu o anúncio do pacote salvador. Sexta, delirante, mas a cabeça esfriou no fim de semana. Segunda, voltou o pânico e novo mergulho no mercado de ações.

Você lê, conversa com analistas, liga a televisão e há um batalhão de economistas à favor do pacote, mas contra o conteúdo. A maioria dos americanos vê o abismo, mas o entusiasmo pelo documento de três páginas e US$ 700 bilhões encolhe de minuto a minuto. O remédio pode ser pior do que a doença. 700 bilhões - o número mais usado já é um trilhão - a critério de Henry Paulson, um homem que veio da Wall Street. O secretário do Tesouro não fuma, não bebe, usa relógio barato, tem paixão pela preservação da natureza e não freqüenta o círculo social de Washington, mas estas virtudes não abafam suas origens de homem da Wall Street.

Quando você filtra as forças contrárias ao pacote há pelo menos cinco obstáculos: quem vai controlar o trilhão? Só o Paulsen? Quem vai sair ganhando? Os presidentes e executivos dos bancos de investimentos, da seguradora AIG, das casas hipotecárias Fanny Mae e Freddie Mac, entre outros - que afundaram suas empresas vão receber compensações milionárias pagas pelo contribuinte? Presidente de empresa salvo pelo Estado não merece ganhar mais do que o maior sálario público, US$ 400 mil, do presidente. Imagine que a média destes masters of the universe é de US$ 11 milhões por ano.

E o americano da main street, aquele que vive de salário na pequena cidade, mal empregado ou desempragado, ameaçado de perder a casa, vai receber quanto? Estamos ainda no terceiro obstáculo.

Dinheiro do contribuinte para salvar bancos estrangeiros? Foi uma das piadas do dia. O quinto obstáculo vem dos conservadores republicanos. Dane-se a Wall Street. Os gananciosos vão para o abismo? Boa viagem. E não são opinões de malucos ou marginais da extrema direita.
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Fonte - BOL

Nota DDP:
Alguém me escreveu para dizer que esta não é a pior crise na história dos EUA, que eles superaram outras e vão superar esta também. Pois eu não consigo entender então porque a mídia que tem até mantido um certo tom conservador neste aspecto, talvez para não gerar um pânico generalizado, no que estão certos, vem dizendo vez após outra que a questão é séria e completamente imprevisível em seus desdobramentos.

Se fosse só para os EUA que deveríamos estar olhando, realmente pudesse ser até que ela não fosse relevante, mas e os outros componentes deste quadro chamado "Grande Conflito"? Tenho ficado realmente surpreso como sinais estão deixando de ter impacto em nosso meio, como o assunto até incomoda, principalmente quando se toca na vertente da preparação.

Enfim, este é mais um indício de que realmente estamos na "ponta da prancha". Cristo pode demorar mais cem anos para voltar, está na soberania de Deus, óbvio, mas que até o remanescente está pronto para cumprir a profecia, não há nenhuma dúvida.
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