terça-feira, 19 de junho de 2007

Mudança climática radical está perto, diz grupo

Painel de cientistas dos EUA afirma que riscos do aquecimento são subestimados. Para grupo, aumento do nível do mar pode ser catastrófico ainda neste século.

Seis especialistas de algumas das mais prestigiosas instituições científicas dos Estados Unidos alertam, em uma publicação britânica, que a civilização está ameaçada pela mudança climática.

Os seis cientistas criticam implicitamente o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), da ONU, por subestimar a elevação do nível dos oceanos neste século como conseqüência do derretimento das geleiras e das calotas polares.

Em vez de uma elevação de 40 centímetros do nível do mar, prevista pelo IPCC, os cientistas americanos - liderados por James Hansen, diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da Nasa - prevêem que o nível dos oceanos subirá vários metros até 2100.

O relatório alarmante da equipe de cientistas, divulgado hoje pelo jornal britânico "The Independent", foi publicado na revista científica "Philosophical Transactions of the Royal Society".

Além de Hansen, assinam o trabalho Makiko Sato, Pushker Kharecha e Gary Russell, também do Instituto Goddard; David Lea, da Universidade da Califórnia em Santa Barbara; e Mark Siddall, do Observatório Terrestre Lamont-Doherty, na Universidade Columbia (Nova York).

No estudo de 29 páginas, intitulado "A mudança climática e os gases-estufa", os seis pesquisadores renunciam em algumas ocasiões à fria linguagem científica para insistir na importância dos problemas e desafios impostos pelo aquecimento do planeta.

Os especialistas afirmam que "a civilização se desenvolveu e construiu amplas infra-estruturas durante um período de estabilidade climática pouco comum, o Holoceno, que já dura quase 12 mil anos e está perto de acabar".

Segundo os cientistas americanos, a humanidade não pode permitir a queima continuada das reservas de combustíveis fósseis restantes, pois fazê-lo significará o surgimento de "um planeta diferente do que serviu de suporte à atual civilização".

Segundo James Hansen, a humanidade tem apenas dez anos para aplicar as duras medidas necessárias para reduzir as emissões de gases-estufa e evitar a elevação das temperaturas do planeta. Se não for assim, o aquecimento resultante pode fazer com que as calotas polares se derretam rapidamente, processo que se agravará ainda mais quando a luz do Sol, que atualmente é refletida pela superfície branca do gelo, começar a ser absorvida pelas escuras águas marinhas.


Fonte - Globo
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