O problema não estava na lei, nem na disciplina, nem mesmo no esforço sincero. O perigo estava na confiança. As credenciais que deveriam conduzir à humildade tornaram-se barreiras para reconhecer a real necessidade de salvação. Paulo percebeu que aquilo que parecia justiça era, na verdade, incapaz de alcançar o coração. A exigência da lei ia além do comportamento externo; ela alcançava intenções, desejos e motivações.
Essa descoberta é desconfortável, mas libertadora. Comparados aos padrões humanos, muitos parecem “bons”. Comparados à santidade de Deus, todos carecem de graça. A vida anterior de Paulo não era vazia de valores, mas vazia de Cristo como centro. Sem Ele, até a obediência se transforma em condenação.
A fé em Cristo, então, não anula o passado, mas o reposiciona. O que antes servia de base para orgulho passa a ser reconhecido como incapaz de salvar. A justiça verdadeira não nasce da lei cumprida exteriormente, mas de um relacionamento restaurado com Deus.
Hoje, ao enfrentar o dia, permita que essa verdade o acompanhe: seus acertos não o justificam, e seus fracassos não o definem. Somente Cristo o faz. Nele, o passado perde o poder de condenar, e o presente se abre para uma vida transformada pela graça.
