Segundo o relatório da Open Doors World Watch List 2026, mais de 388 milhões de cristãos enfrentam altos níveis de perseguição e discriminação globalmente — um aumento frente ao ano anterior e recorde nas estatísticas modernas.
A lista inclui vários países onde a liberdade de manifestação religiosa é limitada ou reprimida de forma sistemática — entre eles Coreia do Norte, Iêmen, Sudão, Eritreia, Síria, Paquistão, Irã, Índia e Nigéria, com diferentes graus de hostilidade contra a prática da fé cristã.
A Nigéria tem se destacado tragicamente como um dos locais mais letais: um relatório recente mostra que naquele país foram registradas milhares de mortes de cristãos em 2025, com grupos extremistas violentamente direcionando ataques contra comunidades religiosas. Além disso, em 2 de fevereiro de 2026 a polícia nigeriana afirmou que cerca de 80 fiéis de três igrejas, que teriam sido sequestrados durante ataques, foram liberados ou retornaram — ainda que grupos cristãos locais contestem as informações, apontando uma crise contínua de segurança.
Também em outras regiões africanas, grupos associados ao Estado Islâmico na África Central (ISCAP) vêm intensificando ataques brutais contra cristãos, com sequestros, execuções e destruição de casas e igrejas documentados desde dezembro de 2024.
Na China, uma comunidade cristã rural em Yayang foi alvo de uma grande operação policial após se recusar a aderir a rituais estatais de patriotismo misturados ao culto, resultando na prisão de líderes e na retirada de símbolos religiosos — um exemplo de perseguição não apenas física, mas também ideológica contra a fé.
Mesmo em países de maioria muçulmana ou com regimes rígidos, as pressões vão além da violência física. O líder da Igreja Católica, Papa Leão XIV, declarou que a perseguição aos cristãos não se manifesta apenas com armas e maus-tratos, mas também por meio de manipulação ideológica e mentiras, onde a verdade da fé é atacada pelo discurso e pela coerção moral.
Diante desse quadro, é claro que a perseguição contemporânea não se limita a incidentes isolados, mas descreve um padrão global de desafios e restrições à liberdade religiosa.
Perspectiva profética — o mundo em conflito de consciência
A Bíblia já anunciava que nos últimos dias o mundo viveria tempos difíceis em muitos níveis — físico, moral e espiritual. O apóstolo Paulo advertiu:
“Sabe também isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis…”
📖 2 Timóteo 3:1
Essa condição não se restringe apenas à ausência de paz, mas inclui conflitos de consciência, oposição crescente contra a fé e desprezo por princípios divinos — aspectos que podemos observar claramente quando cristãos são penalizados, hostilizados ou mesmo mortos por sua fidelidade a Cristo.
Jesus também apontou que, antes de Sua volta, haveria sinais que incluiriam oposição religiosa e sofrimento:
“Eles vos expulsarão das sinagogas; aliás, vem a hora em que todo o que matar-vos julgará que presta serviço a Deus.”
📖 João 16:2
Esse texto chama atenção para o fato de que o antagonismo contra os seguidores de Jesus chega a ser justificado pelas próprias estruturas religiosas humanas — algo que ressoa com a atual perseguição ideológica e institucional em alguns contextos.
Além disso, o apocalipse descreve um tempo em que “todas as nações serão reunidas contra Jerusalém” e onde a fidelidade a Cristo custará sofrimento para muitos (Apocalipse 11; Lucas 21), um padrão que se reflete não apenas em conflitos geopolíticos, mas também no turbilhão ideológico e religioso que hoje recai sobre os que escolhem seguir a Cristo em contextos hostis.
O chamado à perseverança e testemunho
A perseguição, como parte da realidade dos últimos tempos, não é apresentada na Bíblia como fatalismo, mas como prova de nossa fidelidade e oportunidade de testemunho:
“Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.”
📖 Apocalipse 14:12
Os números e relatos de sofrimento são um lembrete de que a fé em Jesus envolve mais do que conforto externo — envolve coragem, testemunho fiel, resistência e esperança além das circunstâncias.
O mundo em que vivemos manifesta polarização, radicalismo e hostilidade em várias esferas. Contudo, a profecia bíblica nos chama a olhar para além dos fatos com discernimento espiritual, sabendo que o sofrimento por causa da fé é uma expressão histórica do conflito entre verdade e poder, entre Cristo e o mundo.
Quem tem ouvidos, ouça.
