Em 1 Reis 14, Jeroboão envia sua esposa disfarçada ao profeta. O disfarce não é para o profeta — é para Deus. O rei já havia abandonado o caminho do Senhor, instituído sua própria adoração e conduzido uma nação inteira ao erro. Ainda assim, quando a crise chega, ele quer orientação divina. Não arrependimento, apenas solução. Não conversão, apenas preservação.
O profeta, cego dos olhos, enxerga mais do que todos: Deus não perdeu o controle, nem a memória. O Senhor recorda a graça dada, a escolha feita, a oportunidade desperdiçada. O problema não era ignorância — era rebelião persistente. A casa de Jeroboão não cairia por falta de informação, mas por recusa à luz recebida. A revelação divina sempre expõe antes de julgar. O juízo apenas confirma uma decisão já tomada pelo coração humano.
Aqui se revela um princípio profundo do conflito espiritual: Deus não abandona primeiro — o homem é quem fecha a porta por dentro. A graça visita muitas vezes antes que a sentença seja pronunciada. Mas quando a verdade é constantemente rejeitada, até as respostas divinas passam a ser solenes anúncios de consequência.
Para hoje, o texto nos confronta silenciosamente. Podemos orar todos os dias e ainda assim evitar a única mudança que Deus pede. Podemos querer proteção divina enquanto preservamos nossos próprios altares secretos. A fé não consiste em buscar respostas de Deus, mas em permitir que Sua palavra reorganize a vida inteira.
Esta manhã, a pergunta não é: “O que Deus fará por mim?”
A pergunta é: “O que preciso abandonar para permanecer com Ele?”
Senhor, não permitas que eu Te procure apenas nas crises. Dá-me um coração que ame Tua verdade mais do que o conforto de minhas próprias escolhas. Que eu não use a fé como disfarce, mas como entrega.
Prisioneiro em Cristo — Reflexões do Cárcere
