A origem do mal não está na retirada da graça, nem em imperfeição no governo do Céu. A lei do amor era — e é — o fundamento da ordem divina. A felicidade dos seres criados dependia de sua harmonia com essa lei. Deus desejava serviço voluntário, não submissão forçada. Concedeu liberdade real, porque somente o amor livre pode ser verdadeiro. Foi dentro dessa liberdade que surgiu a rebelião.
Lúcifer, honrado acima de todos os anjos, permitiu que o orgulho germinasse. A beleza tornou-se motivo de exaltação própria. A honra recebida não despertou gratidão, mas ambição. Ele desejou o que pertencia somente ao Filho. Questionou a supremacia de Cristo e insinuou que a lei era restrição desnecessária. Sob aparência de zelo pelo bem comum, introduziu desconfiança. O conflito começou não com violência aberta, mas com distorção do caráter de Deus.
O Céu inteiro foi testemunha da paciência divina. Advertências foram feitas com misericórdia. O perdão foi oferecido sob condição de arrependimento. Mas o orgulho impediu a submissão. E Deus permitiu que o mal amadurecesse. Não por fraqueza, mas por sabedoria. Se Satanás fosse destruído de imediato, o serviço poderia ser motivado por medo. Era necessário que o universo visse o fruto da rebelião.
O mesmo espírito que se levantou no Céu opera na Terra. A mentira continua sendo a mesma: a lei é opressiva; a obediência é limitação; Deus busca exaltação própria. Mas a cruz desmascara essa acusação. Ali se vê que o Criador não poupou a Si mesmo. Aquele que exigia justiça entregou-Se para satisfazê-la. A morte de Cristo revela que a lei é imutável e que a graça não a anula — a confirma.
O sofrimento não é prova de que Deus perdeu o controle, mas consequência de princípios rejeitados. O governo de Satanás produz degradação e cativeiro. O governo de Deus produz liberdade verdadeira. A história do pecado é lição eterna: afastar-se da lei do amor conduz à ruína; permanecer nela conduz à vida.
Hoje ainda vivemos dentro desse conflito. Cada queixa contra Deus ecoa a antiga suspeita. Cada resistência à verdade repete o primeiro orgulho. O sofrimento pode nos tornar amargos ou nos conduzir à confiança. A escolha é pessoal. Não compreenderemos tudo agora. Mas sabemos o suficiente para confiar. A cruz é argumento final contra a dúvida.
Um dia, o mal será completamente extirpado. O universo reconhecerá que nenhuma causa legítima existiu para o pecado. A lei será honrada como lei da liberdade. E jamais se levantará novamente a angústia.
Até lá, caminhamos pela fé. Não pela explicação total, mas pela convicção de que o caráter de Deus foi plenamente revelado. No mistério permitido, permanece a certeza: justiça e amor nunca estiveram em conflito.
Prisioneiro em Cristo — Reflexões do Cárcere
