segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Quando a Luz é Rejeitada (GC21)

Há um perigo silencioso na vida espiritual: não é a negação aberta da verdade, mas a acomodação gradual a uma vida sem ela. O coração raramente abandona Deus de uma vez; ele apenas aprende a viver como se Sua voz pudesse esperar. A fé permanece nos lábios, mas deixa de governar as decisões. E assim a alma continua religiosa — porém distante.

Em todos os tempos, Deus envia advertências não para condenar, mas para salvar. A mensagem do juízo nunca teve o propósito de afastar o homem, e sim despertá-lo. Quando a eternidade é colocada diante de nós, não para curiosidade, mas para arrependimento, o céu está oferecendo misericórdia. Porém, o homem teme aquilo que exige mudança. Preferimos uma religião que console sem transformar.

Foi assim quando a esperança da volta de Cristo foi proclamada. Muitos a receberam com alegria, não porque fosse novidade, mas porque lhes devolvia a seriedade da vida. Onde essa esperança era aceita, o orgulho cedia, injustiças eram reparadas e a comunhão se tornava viva. A expectativa do encontro purificava o coração. A fé deixava de ser tradição e tornava-se vigilância.

Mas onde a mensagem foi rejeitada, algo mais profundo aconteceu do que simples discordância teológica. O espírito se tornou pesado. O amor esfriou. A religião passou a existir sem arrependimento e sem transformação. O problema nunca foi falta de evidência — foi resistência do coração. A luz revela o estado real da alma, e nem todos desejam ver.

Quando a verdade incomoda, a primeira reação não é refutá-la, mas desacreditá-la. Assim a igreja começa a proteger sua estabilidade mais do que sua fidelidade. A paz exterior é preservada ao custo da vida interior. E lentamente a forma substitui o espírito: reuniões permanecem, palavras permanecem, ritos permanecem — mas Deus já não é buscado com tremor.

A Escritura compara essa condição à infidelidade conjugal. Não porque Deus abandone primeiro, mas porque o coração passa a amar outras coisas acima dEle. O mundo torna-se necessário demais para ser deixado. A aprovação humana pesa mais do que a aprovação divina. E então a alma tenta servir a dois senhores — até perder a sensibilidade para distinguir quem realmente governa sua vida.

Nenhuma queda espiritual ocorre por falta de graça. O céu não se retira arbitrariamente; é a luz rejeitada que produz trevas. Cada convicção abafada endurece um pouco mais a consciência. Cada verdade evitada torna mais difícil reconhecê-la depois. O perigo não está em ouvir e discordar, mas em ouvir e adiar.

Ainda assim, Deus não abandona os que são sinceros. Mesmo em meio à confusão religiosa, existem corações inquietos, desejando algo mais profundo do que tradição e aparência. A eles a luz volta a brilhar. E quando a verdade é finalmente aceita, ela sempre chama à separação — não necessariamente de pessoas, mas de tudo o que ocupa o lugar de Deus.

Hoje, como antes, a pergunta não é se a verdade foi proclamada, mas se foi recebida. O juízo começa no interior da consciência. Antes que venha sobre o mundo, ele visita a alma.

Quem aceita a luz agora, encontrará paz depois.
Quem a recusa hoje, temerá quando já não puder ignorá-la.

Prisioneiro em Cristo — Reflexões do Cárcere

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