segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Quando os Livros se Abrirem (GC28)

Vivemos como se houvesse sempre mais tempo. Planejamos, adiamos, justificamos. A consciência fala, mas a rotina a silencia. Entretanto, há uma cena que se desenrola além do que os olhos veem — solene, silenciosa, decisiva. O juízo não é uma metáfora; é realidade viva diante do trono eterno.

Daniel contemplou tronos sendo postos, o Ancião de Dias assentando-Se, e livros sendo abertos  . Não é um tribunal humano, com limitações e falhas. É o exame perfeito do caráter diante do Deus que conhece pensamentos e intenções. Nada é esquecido. Nada é distorcido. Cada vida passa em revista perante Aquele cuja lei é a própria expressão de Seu caráter.

O Filho do homem aproxima-Se do Pai para receber domínio e reino. Não é a descida final à Terra, mas o momento em que nosso grande Sumo Sacerdote comparece para os últimos atos de Seu ministério em favor do homem  . Enquanto os livros registram obras, palavras e motivos, Cristo apresenta Suas mãos feridas como defesa daqueles que se arrependeram e creram. Ele não justifica o pecado; apresenta o arrependimento. Não ignora a lei; revela a justiça satisfeita em Seu sacrifício.

Há um livro da vida. Há também registros de palavras descuidadas, oportunidades negligenciadas, talentos mal empregados  . O juízo começa pela casa de Deus. Não é tempo de superficialidade religiosa. É tempo de exame profundo. O nome pode permanecer ou ser apagado. O perdão é concedido aos que confessam e abandonam. A promessa é clara: “Eu mesmo apago as tuas transgressões.” Mas o arrependimento deve ser real, não encenado.

Enquanto Cristo intercede, Satanás acusa. Aponta defeitos, quedas, incoerências. Ele reclama como seus aqueles que viveram na transgressão. Contudo, Jesus declara: “Conheço-os pelo nome.” A justiça de Cristo cobre os que aceitaram Sua graça. A vitória não está na perfeição humana, mas na fé perseverante que se apega ao Mediador.

Vivemos no antítipo do dia da expiação. É tempo de afligir a alma, de abandonar o espírito leviano, de vigiar e orar  . A obra é individual. Não seremos salvos em grupos. A pureza de outro não substitui nossa própria entrega. Cada caso é examinado como se fosse o único. Cada decisão pesa na balança eterna.

E haverá um momento em que o juízo se encerrará. O destino estará fixado, embora os homens ainda plantem e construam, comam e bebam, inconscientes de que a sentença já foi pronunciada  . Então Cristo virá com Seu galardão. Não para decidir — mas para executar o que já foi determinado.

Hoje ainda há intercessão. Hoje ainda há sangue que fala melhor do que nossas acusações. Hoje ainda há oportunidade de confissão, de reforma, de retorno. Amanhã pode ser tarde demais.

Que não sejamos encontrados dormindo. Que a luz da cruz ilumine nosso registro. Que nosso nome permaneça no livro da vida.

A cena é solene. O tempo é curto. A decisão é pessoal.

Prisioneiro em Cristo — Reflexões do Cárcere

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