terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Quando a Espera se Torna Fé (GC22)

Há momentos em que Deus não muda as circunstâncias — muda o coração que as atravessa.

O homem suporta melhor a dor do que a incerteza. Sofrer sabendo o porquê é pesado; sofrer sem compreender parece insuportável. É nesse território silencioso que a fé é purificada: quando a promessa permanece, mas a explicação não vem.

Depois do desapontamento, muitos julgaram que tudo havia terminado. Para quem observava de fora, a esperança havia fracassado. Para quem aguardava, porém, algo diferente acontecia: a Escritura não perdera sua força. O erro estava na compreensão humana, não na Palavra. O céu não havia mentido; apenas não havia sido totalmente entendido.

Deus, que conhece o fim desde o princípio, já previra a perplexidade de Seus filhos. Nas profecias estavam escondidas não apenas datas e eventos, mas consolo. A visão poderia parecer tardia, mas não falharia. O justo não viveria da explicação — viveria da fé. A espera não era abandono; era educação espiritual.

Há dois tipos de esperança: a que depende do entusiasmo e a que nasce da convicção. Quando o tempo passa, a primeira se apaga; a segunda amadurece. Assim ocorreu. Alguns haviam seguido a expectativa de um momento; outros haviam encontrado uma rocha. Quando veio a demora, apenas a experiência pessoal com Deus permaneceu.

A parábola das virgens revela esse segredo. Todas possuíam lâmpadas — todas tinham a verdade externa. Mas somente algumas tinham azeite — a vida interior sustentada pelo Espírito. Enquanto o noivo tardava, todas adormeceram; porém apenas metade possuía reserva suficiente para atravessar a noite. A prova não foi a vigília inicial, mas a permanência durante o silêncio.

Na demora, surgem também extremos. Onde Deus opera, o inimigo tenta confundir. Fanatismo, orgulho espiritual e confiança em sentimentos substituem a simplicidade da Palavra. O coração humano prefere certezas emocionais a dependência humilde. Contudo, a verdade não é medida pelo entusiasmo, mas pelo fruto: uma vida sóbria, reta e piedosa.

A história repete o mesmo padrão. Foi assim com os apóstolos, que não compreenderam a cruz antes da ressurreição. Assim com os reformadores, cercados por exageros de seus próprios seguidores. E assim com todo avivamento genuíno: luz acompanhada de oposição e imitação. Deus permite a prova não para destruir a fé, mas para separar aquilo que é apenas reação daquilo que é convicção.

O mundo interpreta a demora como fracasso. O céu a utiliza como preparação. A fé que sobrevive ao tempo torna-se independente de aplausos, datas ou circunstâncias. Já não se apoia na expectativa imediata, mas na fidelidade do caráter divino.

Por isso, a ordem permanece: não rejeitar a confiança. A promessa não depende do nosso cálculo, mas da veracidade de Deus. Aquele que há de vir não tardará além do necessário para formar um povo capaz de esperar sem ver.

A maior prova não é quando tudo parece perdido, mas quando nada acontece — e ainda assim o coração escolhe permanecer.

Prisioneiro em Cristo — Reflexões do Cárcere

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