Ao mesmo tempo, cresce o debate público sobre o grau exato de responsabilidade humana nessas alterações. Embora exista consenso científico significativo sobre a influência das atividades industriais no aquecimento global, há discussões legítimas sobre a complexidade dos sistemas climáticos, ciclos naturais históricos e variáveis ainda não totalmente compreendidas. A própria história geológica da Terra demonstra períodos de aquecimento e resfriamento anteriores à era industrial. Essa complexidade, porém, nem sempre aparece de forma equilibrada no debate político.
Em meio a crises reais e sofrimento concreto provocado por desastres naturais, também se observa a utilização estratégica desses eventos em agendas políticas e econômicas. Propostas de reorganização produtiva, controle de emissões, novas estruturas regulatórias globais e mecanismos financeiros internacionais frequentemente surgem em resposta a catástrofes ambientais. A linha entre prudência ambiental e instrumentalização política torna-se, por vezes, difícil de distinguir. O sofrimento humano é real; o uso geopolítico das crises também é uma realidade histórica recorrente.
À luz das Escrituras, eventos naturais intensificados não são apresentados como surpresa. Jesus afirmou que haveria “fomes, pestes e terremotos em vários lugares” (Mateus 24:7), e Lucas registra que haveria “sinais no sol, na lua e nas estrelas; e, na terra, angústia entre as nações” (Lucas 21:25). O Apocalipse descreve cenários de perturbações ambientais que acompanham momentos decisivos da história humana. Esses textos não atribuem necessariamente cada evento específico a uma causa isolada, mas indicam um aumento cumulativo de instabilidade natural em paralelo ao desenrolar do grande conflito entre o bem e o mal.
A Bíblia também ensina que a criação geme sob os efeitos do pecado (Romanos 8:22). Isso sugere que a degradação ambiental não pode ser reduzida apenas a fatores técnicos ou políticos, mas está inserida em um quadro espiritual mais amplo de ruptura entre humanidade e Criador. Assim, tanto a responsabilidade humana no cuidado da Terra quanto os limites do controle humano sobre os sistemas naturais precisam ser reconhecidos com humildade.
Diante desse panorama, duas atitudes são igualmente perigosas: o negacionismo absoluto, que ignora evidências e sofrimento real, e o alarmismo que instrumentaliza o medo como ferramenta de mobilização. A profecia bíblica aponta para um tempo de crescente instabilidade natural, mas também convida à sobriedade. Eventos extremos fazem parte do cenário descrito nas Escrituras, não como espetáculo sensacionalista, mas como sinais que lembram a fragilidade do mundo atual.
O chamado espiritual, portanto, não é ao pânico, mas ao preparo. Em meio a ondas de calor, tempestades e debates políticos acalorados, permanece a necessidade de discernimento. A história caminha para um desfecho maior do que qualquer conferência climática ou tratado internacional. Enquanto líderes discutem políticas globais e especialistas analisam dados atmosféricos, a Palavra de Deus convida cada pessoa à vigilância, à responsabilidade e à esperança naquele que prometeu fazer “novos céus e nova terra”.
Os eventos climáticos podem intensificar-se. O debate político certamente continuará. Mas acima das variáveis naturais e das agendas humanas, permanece a certeza de que a criação será finalmente restaurada pelo mesmo Deus que a formou.
