Há quem admire Jesus apenas como mestre, exemplo ou inspiração. Mas Suas próprias palavras não permitem neutralidade. Ele não Se apresentou como guia entre muitos, e sim como o próprio caminho. A cruz, portanto, não é apenas o sofrimento de um justo; é a revelação do próprio Deus assumindo a consequência do pecado. Se Cristo fosse apenas criatura, Sua morte poderia emocionar, mas não salvar. A redenção exige mais do que bondade — exige autoridade sobre a vida.
O valor do sacrifício está ligado à identidade de quem Se entrega. Somente Aquele que possui vida em Si mesmo pode devolvê-la à humanidade. Na cruz, o Criador entra na história do ser criado para restaurá-lo sem violar sua liberdade. Ali, o universo inteiro contempla o caráter divino exposto: justiça que não ignora o mal e amor que não abandona o pecador. O silêncio do céu naquele momento não indica ausência, mas a profundidade do custo assumido.
Por isso, a separação experimentada por Cristo não foi ruptura eterna, e sim a experiência real da distância que o pecado produz. Ele suportou o que não era Seu, para que o ser humano não precisasse suportar sozinho. O Pai não deixou de amar o Filho; o Filho não deixou de confiar no Pai. Porém, naquele instante, a escuridão humana foi plenamente carregada.
Hoje, aproxime-se da cruz não como espectador, mas como alguém envolvido nela. Ali você entende quem Deus é — e por que sua esperança não depende mais da própria força, mas do Deus que decidiu permanecer.
