Nos primeiros dias de fevereiro de 2026, uma série de relatórios técnicos e jurídicos, vindos de diferentes partes do mundo, revelou um movimento claro e coordenado: o avanço acelerado da vigilância digital e a progressiva restrição da privacidade individual, agora sustentadas por sistemas de Inteligência Artificial integrados às estruturas do Estadao.
Na União Europeia, embora o chamado AI Act já esteja formalmente em vigor, a própria Comissão Europeia não conseguiu cumprir os prazos para a emissão de diretrizes específicas sobre sistemas classificados como de “alto risco”. Entre eles estão tecnologias de vigilância biométrica, reconhecimento facial em espaços públicos e ferramentas de policiamento preditivo. O resultado imediato é um cenário de insegurança jurídica, no qual autoridades nacionais passam a operar com ampla margem de discricionariedade, justificando decisões técnicas em nome da segurança e da eficiência.
Ao mesmo tempo, fora da Europa, o movimento não é menos significativo. Na Coreia do Sul, uma nova Lei Quadro de IA entrou em vigor em janeiro de 2026, estabelecendo bases amplas para o uso estatal e corporativo dessas tecnologias. Nos Estados Unidos, ordens executivas recentes buscam centralizar a regulação federal da IA e dos dados, frequentemente se sobrepondo a legislações estaduais que, até então, ofereciam maior proteção à privacidade. O discurso oficial é o mesmo em todos os fóruns: segurança nacional, inovação e competitividade econômica.
O que mudou em 2026, porém, não é apenas a retórica — é a fase do processo. A discussão deixou de ser teórica. Sistemas que antes eram pilotos ou projetos experimentais agora estão sendo implantados em infraestruturas críticas, na administração pública, no sistema de justiça, na segurança urbana e no controle de fluxos econômicos. Em paralelo, a corrida tecnológica com a China é frequentemente citada como justificativa para acelerar decisões, mesmo quando elas reduzem o espaço do anonimato digital e da liberdade individual. Em determinadas regiões chinesas, ferramentas de monitorização algorítmica já alcançaram níveis quase totais de penetração social, servindo de modelo — explícito ou implícito — para outros países.
A leitura profética do avanço técnico
A Bíblia não descreve o tempo do fim como um período de caos tecnológico, mas como uma era de ordem excessiva, controle e coerção institucionalizada. O livro do Apocalipse afirma que haverá um sistema capaz de regular a vida econômica e social, condicionando direitos básicos à conformidade com normas impostas:
“Para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal…”
(Apocalipse 13:16–17)
Esse texto não exige, para seu cumprimento, magia ou eventos sobrenaturais visíveis. Ele pressupõe a existência de uma infraestrutura funcional, capaz de identificar indivíduos, monitorar comportamentos e autorizar — ou negar — o acesso à subsistência. Durante séculos, tal estrutura parecia impraticável. Em 2026, ela não apenas existe como está sendo aperfeiçoada, normalizada e legalmente justificada.
A consolidação de identidades digitais obrigatórias, a classificação algorítmica de riscos, a previsão de comportamentos e a restrição de serviços com base em perfis técnicos não são, por si só, o cumprimento final da profecia. Mas constituem o suporte técnico indispensável para que ela possa, um dia, ser plenamente executada.
O profeta Miqueias descreveu um tempo em que a confiança nas estruturas humanas seria profundamente abalada:
“Não creiais no amigo, nem confieis no companheiro… mas eu olharei para o Senhor.”
(Miqueias 7:5–7)
Quando sistemas passam a observar tudo, registrar tudo e decidir tudo, a relação entre o indivíduo e o poder muda de natureza. A vigilância constante não apenas coleta dados; ela modela comportamentos, condiciona escolhas e redefine o conceito de liberdade. A confiança deixa de ser relacional e passa a ser algorítmica.
Um mundo que prepara os meios
Nada disso deve ser lido como alarmismo ou especulação. As próprias fontes técnicas e jurídicas descrevem com clareza o que está em curso: a criação de um ambiente onde o controle é preventivo, não apenas repressivo; onde decisões são tomadas antes do ato, com base em probabilidades calculadas.
A profecia historicista nunca afirmou que o controle final surgiria de forma abrupta. Pelo contrário, sempre apontou para um processo gradual, no qual a humanidade aceitaria limitações sucessivas em nome de causas legítimas — segurança, prosperidade, ordem — até que os meios estivessem plenamente disponíveis.
O que se observa em 2026 não é o fim do caminho, mas a maturação das ferramentas. A infraestrutura está sendo construída. As justificativas estão sendo aceitas. A vigilância está sendo normalizada.
Diante disso, a Escritura não chama ao medo, mas ao discernimento. Não à fuga, mas à vigilância espiritual. Porque, quando os mecanismos estão prontos, o uso deles deixa de ser uma questão técnica e passa a ser moral e espiritual.
Quem tem ouvidos, ouça.
