sábado, 28 de fevereiro de 2026

O pouco nas mãos certas (2RE4)

Há manhãs em que acordamos sentindo que temos pouco. Pouca força, poucos recursos, pouca clareza para decisões que exigem fé. O dia começa como um vaso quase vazio, e o medo sussurra que não será suficiente.

Em 2 Reis 4, a necessidade aparece em diferentes formas: uma viúva ameaçada pela dívida, uma mulher estéril que aprende a esperar, um filho que morre inesperadamente, uma panela envenenada, pães insuficientes diante da fome. O capítulo é uma sequência de crises — mas também de intervenções divinas. O fio que une cada cena é simples: quando o pouco é colocado nas mãos do Senhor, torna-se suficiente.

A viúva tinha apenas uma botija de azeite. Nada além disso. Deus não cria do nada naquele momento; Ele multiplica o que já existe. A fé começa com entrega, não com abundância. O azeite só flui enquanto há vasos disponíveis. A provisão divina acompanha a disposição humana de confiar.

A sunamita aprende que a promessa de Deus pode passar pelo vale da perda antes de se cumprir plenamente. O filho prometido morre, mas ela não abandona a esperança. Corre ao profeta com uma declaração que ecoa confiança: “Tudo vai bem.” Não é negação da dor; é fé no caráter de Deus. Aquele que dá vida é maior que a morte.

A panela contaminada é purificada. Os pães se multiplicam. O Senhor demonstra que Seu cuidado não se limita a grandes eventos nacionais; Ele intervém nas cozinhas, nas dívidas, nas lágrimas silenciosas. O Deus da aliança continua presente no cotidiano.

Este capítulo revela algo central no plano da redenção: Deus age para preservar a vida. Cada milagre aponta para Aquele que é o Pão da vida e a Ressurreição. No grande conflito entre morte e vida, o Senhor sempre se posiciona a favor da restauração.

Hoje, talvez você sinta que tem pouco para oferecer. Pouco ânimo, pouca certeza, pouca estabilidade. Mas a pergunta não é quanto você possui; é se entregará o que tem. O azeite começa a fluir quando a porta se fecha e a confiança se abre.

Senhor, toma o pouco que tenho e faz dele instrumento da Tua fidelidade. Sustenta-me nas crises pequenas e grandes, até que a vida prevaleça plenamente.

Prisioneiro em Cristo — Reflexões do Cárcere

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