quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Entre Dois Exércitos Invisíveis (GC31)

Vivemos rodeados por aquilo que não vemos. A rotina nos convence de que só existe o tangível, o mensurável, o imediato. No entanto, as Escrituras rasgam o véu e revelam uma realidade mais profunda: a história humana está entrelaçada com o ministério de seres celestiais e com a atuação persistente das forças das trevas. Não caminhamos sozinhos — nem para o bem, nem para o mal.

Antes mesmo que o homem fosse formado do pó, já havia criaturas que cantavam diante do trono. Os anjos não são espíritos de mortos, nem energia difusa; são seres reais, inteligentes, poderosos, ministros do governo divino. Superiores ao homem em natureza, mas enviados para servir àqueles que hão de herdar a salvação. Eles se movem com rapidez, com glória, com autoridade — e obedecem à voz do Senhor.

Ao longo da história, esses mensageiros foram enviados em missões de misericórdia. Guardaram a árvore da vida, visitaram Abraão, libertaram Ló, sustentaram Elias no deserto, cercaram Eliseu com carros de fogo, fecharam a boca dos leões diante de Daniel, abriram as portas da prisão para Pedro, sustentaram Paulo na tempestade. O céu nunca esteve indiferente às lutas dos filhos de Deus.

Há também outra realidade. Anjos que outrora foram santos escolheram a rebelião. Uniram-se a Satanás e, desde então, trabalham incansavelmente para desonrar o caráter de Deus e arruinar o homem. Organizados, inteligentes, astutos, movem-se com propósito definido. Não são lendas, nem alegorias psicológicas. São agentes reais do mal, cuja obra se intensificou de modo notável durante o ministério de Cristo.

Quando Jesus veio à Terra, dois poderes reivindicavam supremacia. As hostes das trevas perceberam que seu domínio estava ameaçado. Satanás, como leão acorrentado, manifestou seu poder sobre corpo e mente. Os endemoninhados de Gadara, a jovem atormentada, o menino lançado ao fogo e à água — não eram meras doenças. Eram expressões da opressão de um inimigo que busca controlar, degradar e destruir.

Mas cada confronto revelava algo maior: a autoridade serena de Cristo. Ele falava, e os demônios obedeciam. A palavra do Salvador quebrava correntes invisíveis. Onde Satanás exibia crueldade, Cristo demonstrava misericórdia. O conflito não era apenas físico; era a exposição pública do verdadeiro caráter de cada reino.

O perigo maior, porém, não está apenas na manifestação aberta do mal. Está na negação de sua existência. Nada agrada mais ao enganador do que ser ridicularizado, tratado como mito, caricatura ou superstição. Quando os homens negam sua atuação, tornam-se presa fácil. Ignorando seus ardis, pensam seguir sua própria sabedoria, quando, na verdade, são conduzidos por sugestões sutis.

Se o poder das trevas fosse a única realidade, estaríamos perdidos. Mas há promessa segura: o anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que O temem. Cada seguidor de Cristo possui vigilância celestial designada. A proteção não é desnecessária; é resposta ao perigo real. Não somos chamados a temer, mas a vigiar.

Hoje, a decisão é clara. Resistiremos às reivindicações divinas e abriremos espaço para a influência do inimigo? Ou nos colocaremos sob a guarda daquele que venceu? Não há neutralidade. Permitir acesso é convidar perturbação; seguir a Cristo é permanecer sob Sua proteção.

Entre dois exércitos invisíveis, escolhemos a quem pertencer. O maligno não pode romper a guarda que Deus coloca ao redor dos que Lhe são fiéis. Sob essa proteção, podemos enfrentar o dia — não com ingenuidade, mas com confiança firme no poder superior do nosso Redentor.

Prisioneiro em Cristo — Reflexões do Cárcere

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