Em 2 Reis 1, um rei enfermo envia mensageiros não ao Senhor de Israel, mas a um deus estrangeiro. Não é apenas curiosidade religiosa; é declaração de independência espiritual. É como se dissesse: “Há outro que pode me responder melhor.” No contexto do grande conflito, essa escolha nunca é neutra. Buscar outra fonte de orientação é, na prática, rejeitar o governo do Deus verdadeiro.
O Senhor, porém, não permanece em silêncio. Ele envia Seu profeta com uma pergunta que atravessa séculos: “Porventura não há Deus em Israel?” A questão não trata apenas de geografia, mas de fidelidade. O problema não é ausência de revelação — é desprezo por ela. A Palavra havia sido dada. A aliança estava estabelecida. Mas o coração escolheu outro caminho.
Quando os soldados são enviados para prender o profeta, o confronto revela algo mais profundo: autoridade espiritual não se submete à intimidação política. O fogo que desce do céu não é espetáculo; é juízo. Deus demonstra que Sua santidade não pode ser manipulada nem ignorada. Contudo, quando um capitão se aproxima com humildade, a resposta é diferente. O mesmo Deus que julga também preserva. A diferença está na postura do coração.
Cristo é o cumprimento dessa tensão entre justiça e graça. Nele, o fogo do juízo recaiu para que a misericórdia pudesse nos alcançar. Ainda assim, a mensagem permanece: Deus não é acessório na vida. Ele é Senhor.
Hoje, antes que o dia avance, a pergunta ecoa novamente: a quem você consulta? Em quem você deposita sua segurança quando a saúde falha, quando o medo cresce, quando o futuro parece incerto? A tentação moderna não é erigir altares visíveis, mas confiar em soluções que excluem a dependência de Deus.
Que eu não trate o Senhor como última alternativa. Que minha primeira busca seja Sua voz. Porque ainda há Deus em Israel — e Ele continua governando.
Em silêncio, entrego este dia Àquele que responde do céu.
Prisioneiro em Cristo — Reflexões do Cárcere
