Mas a experiência diária prova o contrário: quando cada um faz o que quer, os mais fortes dominam e os mais fracos sofrem. A ausência de lei nunca produziu paz — apenas desordem organizada. O coração humano não nasceu para autonomia absoluta; nasceu para harmonia com o seu Criador.
No céu existe um centro moral do universo. Não é um conceito, nem uma tradição religiosa: é a vontade de Deus expressa em Sua lei. Ela não foi criada para restringir a vida, mas para preservá-la. Assim como as leis físicas sustentam a criação, a lei divina sustenta a existência moral. Sem ela, não haveria confiança, justiça nem amor verdadeiro — apenas interesses temporários.
Por isso a redenção nunca teve como objetivo abolir a lei, mas restaurar o homem à obediência. O pecado não foi simplesmente um erro de comportamento; foi a tentativa da criatura viver independente do caráter de Deus. A cruz não removeu a autoridade divina — revelou seu custo. Cristo não morreu para tornar a desobediência aceitável, mas para tornar possível a reconciliação.
Ao contemplar o santuário celestial, percebe-se que no centro da adoração não está o homem, nem seus sentimentos, mas o caráter eterno de Deus. Sua lei permanece onde sempre esteve: como expressão de quem Ele é. Se pudesse ser alterada para acomodar a humanidade caída, não seria perfeita; se dependesse das eras, não seria eterna.
Por isso a história humana caminha para um momento de decisão. A questão final não será entre crença e descrença, mas entre lealdade e conveniência. Haverá uma adoração baseada na autoridade divina e outra baseada na autoridade humana. O conflito não será meramente religioso — será moral: quem tem o direito de definir o bem e o mal?
Sempre que o homem substitui a vontade de Deus pela própria tradição, cria uma religião confortável, mas vazia de poder espiritual. O culto continua, as formas permanecem, mas o coração deixa de ser transformado. A verdadeira fé, porém, não adapta a verdade à consciência — ela transforma a consciência para que ame a verdade.
Guardar a lei não é tentar merecer salvação; é aceitar viver reconciliado com o Criador. A graça não cancela a obediência — produz obediência. O Espírito não conduz à independência moral, mas à harmonia com o céu.
Assim, no fim, existirão apenas dois caminhos: seguir a autoridade de Deus ou aceitar uma autoridade substituta. Um nasce do amor reverente; o outro, da conveniência espiritual. A diferença externa pode parecer pequena, mas a origem interior é oposta.
A crise final não será sobre informação, mas sobre fidelidade.
E cada vida revelará a quem realmente pertence.
Prisioneiro em Cristo — Reflexões do Cárcere
