sábado, 21 de fevereiro de 2026

Quando a Verdade Incomoda (GC26)

Há um tipo de fé que agrada enquanto não exige nada. Ela consola, inspira e tranquiliza — até o momento em que confronta. Quando a verdade toca hábitos antigos, tradições queridas ou segurança coletiva, o coração percebe que seguir a Deus nunca foi apenas concordar, mas decidir. E toda decisão verdadeira custa alguma coisa.

Desde o princípio, Deus deixou sinais claros de Sua autoridade e de Seu caráter. Entre eles, um memorial foi estabelecido não para aprisionar o homem, mas para libertá-lo do esquecimento: lembrar quem é o Criador e a quem pertence a vida. O conflito surge quando a criatura prefere adaptar a verdade à própria conveniência. O problema nunca foi falta de evidência, mas resistência do coração.

Ao longo da história, sempre houve quem honrasse a vontade divina mesmo quando isso os colocava em minoria. Não eram necessariamente os mais eruditos, nem os mais influentes, mas os que preferiam a Palavra acima do costume. Enquanto muitos buscavam segurança no que sempre fora aceito, alguns escolhiam permanecer fiéis ao que estava escrito. A fé verdadeira não se apoia na antiguidade de uma prática, mas na autoridade de Deus.

A verdade restaurada raramente é celebrada. Ela primeiro incomoda, depois separa, e só então ilumina. Quando confrontados, muitos recorrem ao argumento da maioria, ao peso da tradição ou ao prestígio das instituições. Contudo, a consciência não é governada por votos humanos. O céu não mede fidelidade por popularidade. Aquilo que sempre foi feito pode continuar errado, e aquilo que poucos guardam pode continuar sendo o certo.

Por isso a mensagem divina nunca é silenciosa. Ela chama ao arrependimento não apenas o mundo abertamente rebelde, mas também os que pensam estar seguros enquanto ignoram aquilo que Deus declarou. O maior perigo espiritual não é rejeitar a fé, mas praticá-la sem submissão real. É possível buscar a Deus diariamente e ainda resistir à Sua vontade quando ela fere preferências pessoais.

A verdade também traz oposição. Quem a mantém será visto como exagerado, perturbador ou inflexível. A história mostra o mesmo padrão: acusaram profetas de causar divisão, reformadores de criar confusão e servos sinceros de provocar discórdia. Na realidade, a divisão não nasce da verdade, mas da recusa em aceitá-la.

O mensageiro fiel não escolhe o momento mais favorável nem suaviza o conteúdo para evitar rejeição. Ele fala porque Deus falou. Sua responsabilidade não é garantir aceitação, mas preservar a mensagem. O resultado pertence ao Senhor.

Para quem recebe luz, nasce também responsabilidade. O silêncio diante do erro protege o conforto, mas compromete a alma. Permanecer fiel pode trazer isolamento, perda de reputação e incompreensão — ainda assim, é nesse terreno que a fé amadurece. A obediência não espera aplausos; ela permanece porque reconhece a voz do Pastor.

A verdade nem sempre tornará o caminho mais fácil, mas sempre o tornará seguro. Melhor caminhar com Deus em minoria do que acompanhado em erro. No fim, não será a aprovação humana que sustentará a alma, mas a consciência tranquila diante dAquele que vê em secreto.

Prisioneiro em Cristo — Reflexões do Cárcere

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