A fé humana sempre tentou resolver o sofrimento olhando apenas para a Terra. Esperamos mudanças visíveis, intervenções imediatas, respostas que caibam no tempo curto da nossa vida. Mas quando Deus não age como imaginamos, a alma vacila. O desapontamento nasce menos da promessa falhar — e mais da nossa compreensão ser pequena demais para o que Ele está fazendo.
Houve um tempo em que muitos aguardaram o retorno de Cristo em uma data específica. Quando o dia passou e nada aconteceu, parecia que tudo havia terminado. A esperança parecia enganada, a fé parecia construída sobre um erro. Porém, o céu não havia permanecido inativo — apenas estava trabalhando em um lugar que os olhos humanos não haviam considerado.
A Escritura revela que a redenção não acontece apenas na cruz nem apenas na volta de Cristo, mas também em um ministério silencioso que continua no céu. Existe um santuário real, não simbólico, onde Cristo atua como mediador. Ali não há multidões, nem manifestações visíveis, nem sinais espetaculares. Há algo mais profundo: justiça sendo harmonizada com misericórdia.
O tabernáculo antigo era uma parábola viva. Cada sacrifício apontava para a culpa humana sendo transferida, registrada e tratada. O pecado não desaparecia automaticamente; era levado para um processo de resolução diante de Deus. Aquilo não era um ritual vazio — era uma explicação do modo como o universo seria restaurado sem destruir quem deseja ser salvo.
Cristo não apenas morreu pelos homens; Ele os representa. Sua obra não terminou no Calvário, mas entrou numa fase mais silenciosa: interceder, examinar, separar definitivamente o mal do bem. Antes que o mal seja removido da existência, precisa ser demonstrado diante de toda a criação que Deus é justo ao salvar uns e condenar o pecado.
Isso muda a forma como entendemos o tempo. O aparente atraso não é abandono — é paciência divina. Deus não está apenas encerrando a história; está curando o universo. Cada vida é considerada, cada escolha pesa, cada arrependimento é levado a sério. Nada é apressado, porque a eternidade exige certeza absoluta de justiça.
Assim, a esperança do cristão não está em escapar da Terra rapidamente, mas em saber que sua vida já está diante de Deus agora. O céu não é apenas destino futuro — é tribunal presente, e também refúgio presente. Nossa fé não depende do que vemos acontecer ao redor, mas do que Cristo está fazendo por nós onde não vemos.
Viver hoje torna-se diferente quando sabemos disso. O pecado não é pequeno, a graça não é barata e o arrependimento não é simbólico. Há um Salvador vivo defendendo cada coração sincero. A vida, então, deixa de ser espera vazia e passa a ser preparação consciente.
O retorno de Cristo será público, glorioso e definitivo. Mas antes dele existe uma obra invisível — e é nela que nossa esperança repousa: alguém está agora falando em nosso favor.
Prisioneiro em Cristo — Reflexões do Cárcere