quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

O Deus do Pouco (1RE15)

Há manhãs em que acordamos com a sensação de escassez. Falta força, falta direção, falta ânimo — e às vezes parece faltar o próprio Deus. A alma mede o dia pelo que possui, mas o céu mede o homem pelo que confia. É nesses dias que a fé não é sentimento; é decisão silenciosa.

O profeta foi enviado para o deserto e ali aprendeu a depender. Não havia mesa, apenas um ribeiro; não havia provisão visível, apenas ordem divina. O Senhor sustentou Seu servo por meios improváveis: aves impuras levaram pão, e depois uma viúva faminta tornou-se instrumento de vida. O milagre não começou quando o alimento apareceu, mas quando a palavra foi obedecida. A mulher tinha apenas um punhado de farinha — suficiente para morrer — mas Deus pediu primeiro. No reino divino, entregar não é perder; é abrir espaço para o céu agir.

A seca não era apenas climática. Israel havia abandonado a fonte verdadeira e confiado em ídolos mudos. A fome revelou quem realmente sustenta a vida. Assim também hoje: Deus permite que nossos ribeiros sequem para que não adoremos a água, mas o Doador. A graça não anula a obediência; ela a torna possível. A viúva não foi salva por sua pobreza, mas por confiar na palavra do Senhor. Fé e submissão caminham juntas, e nelas a vida é preservada.

Hoje, antes de iniciar suas tarefas, entregue primeiro a Deus aquilo que parece indispensável: seu tempo, sua ansiedade, sua própria segurança. O coração que se apega ao pouco sempre vive em medo; o coração que entrega descobre abundância diária. Não haverá celeiros cheios de uma vez, mas haverá pão suficiente para cada dia — e isso basta.

Senhor, ensina-me a confiar quando meus recursos acabam. Se o ribeiro secar, que minha fé não seque contigo. Que eu viva do que Tu dizes, não do que vejo.

Prisioneiro em Cristo — Reflexões do Cárcere

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