Esse fenômeno não se limita a um governo específico ou a uma crise isolada. Trata-se de um desgaste estrutural. Instituições antes vistas como pilares éticos passam a ser questionadas, enquanto a confiança social se fragmenta. A democracia formal permanece, mas sua substância moral se enfraquece. O discurso de valores permanece nos documentos; a prática, porém, revela outra realidade.
A Escritura, entretanto, já havia antecipado esse cenário. Ao escrever a Timóteo, o apóstolo Paulo advertiu que os últimos dias não seriam marcados apenas por conflitos externos, mas por uma profunda deformação do caráter humano. “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos” (2Tm 3:1). Em seguida, Paulo descreve um retrato preciso: homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, sem afeto natural, traidores, mais amigos dos prazeres do que amigos de Deus (2Tm 3:2–4).
O que se observa hoje é exatamente essa moldagem progressiva do comportamento humano a esse padrão. A corrupção deixa de causar escândalo duradouro; torna-se normalizada. A ética já não é um princípio, mas um instrumento retórico, ajustado conforme a conveniência. A verdade passa a ser negociável, e a justiça, seletiva. Como declarou o profeta Isaías, “o juízo se retirou para trás, e a justiça se pôs longe” (Is 59:14).
Não se trata apenas da falha de sistemas políticos ou jurídicos, mas da manifestação de um problema mais profundo: o colapso da consciência moral coletiva. A Bíblia não apresenta esse processo como um evento súbito, mas como um amadurecimento progressivo de atitudes e valores que refletem um mundo desconectado de Deus.
Assim, as notícias sobre o declínio da ética global não devem ser lidas apenas como dados estatísticos ou crises institucionais. Elas funcionam como sinais. Revelam que o comportamento humano, em escala coletiva, caminha exatamente na direção descrita pelas Escrituras para o tempo do fim. Não como julgamento imediato, mas como evidência de que o caráter do mundo está sendo formado segundo um modelo já anunciado.
Em meio a esse cenário, a advertência bíblica permanece atual e necessária: discernir os tempos não é temer as notícias, mas compreendê-las à luz da Palavra. Porque, quando a ética cai e a justiça se distancia, o que se revela não é apenas a falência das instituições, mas o retrato de uma humanidade que se amolda, cada vez mais, ao perfil dos últimos dias.
