quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

A Esperança que Sustenta a Alma (GC17)

Há dias em que a fé parece sobreviver apenas por memória. O mundo continua seu curso, as dores se repetem, a injustiça prospera, e o coração humano aprende a conviver com a espera. O tempo passa, gerações surgem e desaparecem, e a promessa ainda não se cumpriu diante dos olhos. É nesse silêncio prolongado que a esperança é provada — não como sentimento, mas como decisão.

Desde que o homem deixou o Éden, a história humana tornou-se uma longa peregrinação entre a promessa e o retorno. A terra não é mais lar, apenas caminho. Os fiéis de todas as épocas viveram sustentados por uma convicção: o mal não governará para sempre. A vinda de Cristo não é um detalhe da fé cristã; é seu desfecho. Sem ela, a redenção seria incompleta, a justiça inconclusa e o sofrimento sem resposta.

Os profetas viram esse dia à distância e alegraram-se. Não porque compreendessem todos os eventos, mas porque sabiam quem viria. A esperança não estava nos sinais, mas na Pessoa. Aquele que venceu a morte não abandonará Sua criação ao domínio definitivo do mal. O céu não permanecerá eternamente silencioso diante da dor humana. O retorno de Cristo é a intervenção final de Deus na história — não apenas para julgar, mas para restaurar.

Essa esperança sustentou mártires nas prisões, confortou doentes em seus leitos e deu coragem aos solitários em meio à perseguição. Eles não viviam apenas para atravessar a vida presente, mas para encontrar o Senhor. A morte perdeu sua autoridade quando passou a ser apenas um sono breve diante da ressurreição prometida. O futuro deixou de ser ameaça e tornou-se encontro.

Entretanto, à medida que os séculos avançaram, a igreja começou a se acomodar ao tempo presente. Prosperidade, segurança e interesses terrenos obscureceram a expectativa do retorno. Quando a vida parece estável, a esperança da eternidade enfraquece. O coração passa a investir onde acredita permanecer. Assim, a promessa da volta de Cristo foi sendo empurrada para um amanhã distante — aceita em doutrina, esquecida na prática.

Mas o Senhor não deixou Seu povo sem advertência. A história, a natureza e a própria inquietação da alma continuam apontando para um desfecho. O mundo não caminha para evolução infinita, mas para um encontro inevitável. O dia do Senhor não surpreenderá os vigilantes, apenas os distraídos. A preparação não acontece no último momento; forma-se no cotidiano de quem vive diante de Deus.

Esperar não é passividade. É viver de modo que o encontro seja desejado, não temido. Cada escolha revela se o coração pertence à terra ou ao reino que virá. A esperança verdadeira purifica o presente. Quem aguarda a Cristo aprende a ordenar afetos, corrigir caminhos e manter a fé mesmo quando nada muda ao redor.

A promessa permanece: Ele virá. Não como ideia consoladora, mas como realidade. E naquele dia, toda dor terá um limite definitivo, toda injustiça um fim, toda saudade um abraço restaurado. A espera, então, terá valido cada lágrima silenciosa.

Prisioneiro em Cristo — Reflexões do Cárcere

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