Em 1 Reis 22, dois reis se unem para uma guerra. Antes de avançar, consultam profetas — muitos profetas. A mensagem é unânime: vitória. Mas Josafá percebe algo estranho e pergunta se ainda há um profeta do Senhor. Há. Micaías. E ele já é conhecido por uma coisa: não diz o que agrada.
A cena revela algo profundo sobre o conflito espiritual que atravessa a história. Há muitas vozes, mas nem todas vêm do céu. O erro não estava apenas na guerra planejada, mas na disposição interior de ouvir apenas aquilo que confirmava desejos já decididos. Quando Micaías fala, ele expõe o que ninguém queria admitir: havia engano no ambiente, e o juízo se aproximava.
Acabe rejeita a advertência. Prefere a ilusão confortável à palavra dura. Mesmo disfarçando-se na batalha, não escapa. Uma flecha lançada ao acaso cumpre o que Deus havia revelado. O capítulo termina com sangue no carro do rei — sinal de que a Palavra do Senhor não falha, ainda que seja ignorada.
O grande conflito entre verdade e engano não acontece apenas em campos de batalha antigos. Ele se repete no coração humano todos os dias. Cristo é a Verdade, mas a carne ainda prefere mensagens que preservem orgulho e projetos pessoais. A graça não elimina a responsabilidade de ouvir. A luz não força ninguém a aceitá-la.
Hoje, antes de iniciar o dia, a pergunta não é apenas “o que desejo ouvir?”, mas “o que Deus está dizendo?”. Nem sempre a voz do Senhor será a mais popular, nem a mais confortável. Mas será a única que conduz à vida.
Que eu não silencie a verdade quando ela confrontar minhas intenções. Que eu não busque multidão de vozes para justificar escolhas já decididas. Que eu tenha coragem de ouvir, mesmo quando a Palavra fere meu orgulho.
Porque no fim, não é a aprovação dos homens que sustenta a vida — é a fidelidade à voz de Deus.
Prisioneiro em Cristo — Reflexões do Cárcere
