terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

A Voz Que Ninguém Quer Ouvir (1RE22)

Há dias em que buscamos confirmação, não verdade. Queremos ouvir que tudo dará certo, que nossos planos são seguros, que o caminho escolhido já está abençoado. O coração humano tende a procurar vozes que tranquilizem, não que confrontem.

Em 1 Reis 22, dois reis se unem para uma guerra. Antes de avançar, consultam profetas — muitos profetas. A mensagem é unânime: vitória. Mas Josafá percebe algo estranho e pergunta se ainda há um profeta do Senhor. Há. Micaías. E ele já é conhecido por uma coisa: não diz o que agrada.

A cena revela algo profundo sobre o conflito espiritual que atravessa a história. Há muitas vozes, mas nem todas vêm do céu. O erro não estava apenas na guerra planejada, mas na disposição interior de ouvir apenas aquilo que confirmava desejos já decididos. Quando Micaías fala, ele expõe o que ninguém queria admitir: havia engano no ambiente, e o juízo se aproximava.

Acabe rejeita a advertência. Prefere a ilusão confortável à palavra dura. Mesmo disfarçando-se na batalha, não escapa. Uma flecha lançada ao acaso cumpre o que Deus havia revelado. O capítulo termina com sangue no carro do rei — sinal de que a Palavra do Senhor não falha, ainda que seja ignorada.

O grande conflito entre verdade e engano não acontece apenas em campos de batalha antigos. Ele se repete no coração humano todos os dias. Cristo é a Verdade, mas a carne ainda prefere mensagens que preservem orgulho e projetos pessoais. A graça não elimina a responsabilidade de ouvir. A luz não força ninguém a aceitá-la.

Hoje, antes de iniciar o dia, a pergunta não é apenas “o que desejo ouvir?”, mas “o que Deus está dizendo?”. Nem sempre a voz do Senhor será a mais popular, nem a mais confortável. Mas será a única que conduz à vida.

Que eu não silencie a verdade quando ela confrontar minhas intenções. Que eu não busque multidão de vozes para justificar escolhas já decididas. Que eu tenha coragem de ouvir, mesmo quando a Palavra fere meu orgulho.

Porque no fim, não é a aprovação dos homens que sustenta a vida — é a fidelidade à voz de Deus.

Prisioneiro em Cristo — Reflexões do Cárcere

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