quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

O Manto Que Cai (2RE2)

Há manhãs em que sabemos que algo está terminando. Uma estação se fecha, uma voz se despede, uma presença que nos sustentava já não caminhará ao nosso lado como antes. O coração sente o peso da transição, e a fé é chamada a atravessar o que não pode controlar.

Em 2 Reis 2, Elias e Eliseu caminham juntos pela última vez. O profeta veterano sabe que sua jornada terrena está prestes a terminar. Eliseu também sabe — e se recusa a se afastar. Gilgal, Betel, Jericó, Jordão. Cada etapa é uma prova silenciosa de perseverança. O discipulado verdadeiro não abandona a presença de Deus quando o caminho se torna incerto.

O Jordão se abre diante deles, lembrando que o Deus que conduz também é o Deus que separa águas. Mas o clímax não está no milagre do rio, e sim no momento em que um redemoinho separa os dois homens. Elias sobe, e Eliseu fica. O céu intervém, mas a missão permanece na terra.

Então o manto cai.

Não é apenas tecido. É responsabilidade. É continuidade. É testemunho de que a obra de Deus não depende de um único instrumento. O Senhor remove seus servos, mas não abandona Seu propósito. O Espírito que operava em Elias agora repousa sobre Eliseu — não por mérito humano, mas por graça concedida.

O grande conflito não cessa com a saída de um profeta. A batalha entre verdade e engano continua. Por isso, o manto não é símbolo de glória pessoal, mas de fidelidade à Palavra. O Deus que chama também capacita.

Hoje, talvez você esteja entre despedidas e novos chamados. Talvez algo esteja terminando, e você se pergunte se está pronto para o que vem. O texto nos lembra que Deus não deixa Seu povo órfão. Quando uma fase termina, Ele já preparou a continuidade.

Que neste dia você segure o manto com reverência, não como posse, mas como missão. O Senhor ainda separa águas para aqueles que permanecem firmes.

Que eu não tema a transição, mas confie no Deus que permanece o mesmo.

Prisioneiro em Cristo — Reflexões do Cárcere

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