Desde sua criação, a Organização das Nações Unidas se apresentou como resposta racional aos horrores da guerra, um fórum onde o diálogo substituiria os conflitos e a cooperação garantiria paz, segurança e prosperidade. Décadas depois, o mundo não está mais pacífico, mais justo nem mais unido. Pelo contrário: guerras persistem, crises se multiplicam e a instabilidade se tornou permanente.
A ONU não apenas falhou em resolver os grandes dilemas globais; em muitos casos, passou a funcionar como espaço de conchavos, barganhas políticas e privilégios, onde decisões tomadas por representantes não eleitos afetam diretamente bilhões de pessoas. Tratados, resoluções, agendas globais e diretrizes são elaborados longe do escrutínio popular, frequentemente desconectados das realidades locais e das liberdades individuais.
Esse modelo revela uma contradição central do nosso tempo: instituições criadas para promover paz acabam concentrando poder, e, ao fazê-lo, tornam-se incapazes de responder às angústias reais das nações. O déficit financeiro atual não é apenas contábil — é simbólico. Ele denuncia a perda de confiança em estruturas que já não entregam aquilo que prometeram.
A Bíblia antecipa esse cenário. O profeta Daniel descreveu reinos humanos como sucessões frágeis, instáveis, misturas que não se sustentam:
“Misturar-se-ão mediante casamentos, mas não se ligarão um ao outro” (Daniel 2:43).
Jesus foi ainda mais direto ao afirmar que, antes do fim, os homens viveriam perplexos, sem respostas eficazes para as crises globais:
“Haverá angústia das nações, em perplexidade” (Lucas 21:25).
A tentativa de governar o mundo por meio de organismos supranacionais, compostos por elites técnicas e políticas, sem legitimidade popular direta, não produz unidade verdadeira. Produz dependência, ressentimento e resistência. E quanto maior o vácuo de soluções reais, maior a tentação de buscar autoridade centralizada, capaz de impor decisões em nome da ordem e da segurança.
Do ponto de vista profético, esse movimento é significativo. Apocalipse descreve um tempo em que os poderes da Terra caminham para uma falsa ideia de unidade, baseada não na justiça, mas na conveniência; não na verdade, mas no consenso imposto:
“Estes têm o mesmo intento e entregarão o seu poder e autoridade” (Apocalipse 17:13).
A crise da ONU não é um acidente isolado. É mais um sinal de que os sistemas humanos chegaram ao seu limite. Quando estruturas globais fracassam, o mundo não se volta para Deus espontaneamente — ele busca novas formas de controle, novas alianças e novas soluções humanas, ainda mais abrangentes.
A profecia bíblica não aponta a ONU como a resposta final, nem como o problema último. Ela a insere em um panorama maior: o colapso progressivo das soluções humanas e a preparação do terreno para um conflito decisivo de autoridade.
Quando as nações falham, a pergunta inevitável emerge:
quem, afinal, tem o direito de governar a consciência humana?
A Escritura responde com clareza:
“O Senhor é o nosso juiz, o Senhor é o nosso legislador, o Senhor é o nosso rei” (Isaías 33:22).
E é justamente essa verdade que, no tempo do fim, estará em disputa.



